Casos de dengue no Brasil aumentam 45%
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quarta-feira, 05 de setembro de 2007
Lígia Formenti<br>Agência Estado 
Brasília - O número de casos de dengue no Brasil aumentou 45% nos primeiros sete meses deste ano, quando comparados com o mesmo período de 2006. Até julho, foram confirmados 438.949 infecções pelo vírus - 442.757 até meados de agosto. Em 2002, pior ano da doença no País, foram registrados quase 794 mil casos ao longo de doze meses.
O número de mortes provocadas por dengue não cresceu no mesmo ritmo. Até julho deste ano, foram contabilizadas 98. No mesmo período de 2006, foram registrados 77 óbitos. ''Mas todas essas mortes poderiam ter sido evitadas'', admite Gerson Pena, titular da Secretaria de Vigilância em Sa© úde (SVS) do Ministério da Sa© úde.
Três Estados contribuíram para o expressivo aumento neste ano. Mato Grosso do Sul apresentou 72.183 casos, ante 12.813 em 2006. Em seguida, vem o Rio de Janeiro, com 46.857 pacientes com infecção confirmada - um aumento considerável diante dos 28.676 apresentados ano passado. E Paraná, que até agora registrou 43.691 pacientes, número dez vezes maior que o do ano passado: 4.300 doentes. O Estado de São Paulo também registrou um número recorde de infecções. Do início do ano até o agosto, 62,2 mil ficaram doentes no Estado e 16 morreram. O recorde anterior foi em 2001, quando houve 51,7 mil casos de dengue.
O aumento significativo não é surpresa. Em 2006, um levantamento rápido feito para identificar áreas onde há criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, já apontava um aumento das áreas de risco. Tal tendência se confirmou em muitos municípios. Apesar dessa constatação, Pena não quis atribuir o aumento do número de casos a uma prevenção inadequada de gestores. ''O crescimento é fruto de uma conjunção de fatores'', disse o diretor de gestão da SVS, Fabiano Pimenta. Entre eles, a dificuldade da população em mudar seus hábitos.
Pena citou como exemplo outras doenças, como Aids e câncer de pele, em que a população demorou para incorporar o uso de camisinhas nas relações sexuais e, no caso do câncer, o filtro solar antes da exposição ao sol. ''Com a dengue não é diferente. A população sabe como evitar o mosquito, mas 55% reconhecem que seu vizinho não adota medidas necessárias'', afirmou, citando uma pesquisa recém-concluída pelo ministério sobre o nível de informação da população sobre a doença.
O secretário de Vigilância em Saúde observou ainda que em 25% das casas agentes comunitários não conseguiram entrar para fazer vistorias de criadouros. ''Mas não é só por motivos de segurança. Em muitos casos, a cidade é dormitório, as pessoas só chegam em casa à noite'', completou.
Pimenta admite que, em locais onde o gestor fez uma mudança de abordagem - passou a fazer visitas aos domingos ou em horários onde as pessoas já tivessem chegado do trabalho, a eficácia das visitas foi mais significativa. O auge dos surtos ocorreu em fevereiro. Integrantes do ministério afirmam, no entanto, que há risco de o problema recrudescer, logo que o período de chuvas volte. Por isso, neste mês uma ação de prevenção novamente será desencadeada.


