Casos de dengue crescem 33% em uma semana
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terça-feira, 15 de março de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) registrou avanço de 33,8% nos casos confirmados de dengue na última semana no Paraná. De acordo com os dados do último boletim epidemiológico das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, divulgado no final da tarde de ontem, já foram identificados 14.275 casos da doença, 3.612 a mais que no relatório anterior. Destes, 1.547 são de Foz do Iguaçu.
O número de mortes por dengue também aumentou, passando de 15 para 19. Três dos quatro novos óbitos confirmados foram registrados em Paranaguá e um em Maringá. Desta forma, o atual ciclo epidemiológico que teve início em agosto do ano passado tem 14 mortes registradas em Paranaguá, duas em Foz do Iguaçu, uma em Antonina, uma em Curitiba e a última em Maringá. Seis casos ainda permanecem sob investigação.
Santa Cecília do Pavão, no Norte Pioneiro, se juntou a outras 30 cidades em situação de epidemia no Estado. O município de 3,6 mil moradores tem incidência de 305,81 casos por 100 mil habitantes. Rancho Alegre, na mesma região, tem a pior situação, com incidência de 6.917,29. É considerada situação de epidemia incidência maior que 300 casos por 100 mil habitantes. A quantidade de cidades em alerta para epidemia também ficou maior, passando de 21 para 34 municípios que apresentam de 100 a 300 casos de dengue a cada 100 mil habitantes.
O novo boletim também apontou 18 novos casos de zika e quatro de chikungunya, doenças que chegaram aos 129 e 32 casos, respectivamente. De acordo com a Sesa, o aumento significativo, principalmente dos casos de dengue, também se deve ao uso de uma nova tecnologia mais avançada pelo Laboratório Central do Estado (Lacen).
A Sesa alerta que, mesmo com a aproximação do outono e o fim da temporada de verão, os cuidados para evitar a proliferação do mosquito da dengue devem ser mantidos. "A população deve manter a rotina de vistoria semanal e eliminar possíveis criadouros do Aedes aegypti. É provável que ainda não tenhamos atingido o pico da epidemia neste período epidemiológico. Verificando a série histórica, isso acontece na primeira quinzena de abril. Então, a mobilização precisa continuar", explicou a superintendente de Vigilância em Saúde, Cleide de Oliveira.
A superintendente detalha que o número de casos da doença e cidades em epidemia deve continuar aumentando, como ocorreu em anos anteriores. Por isso, ela alerta a necessidade de separar pelo menos um dia na semana e fazer o "checklist" da dengue em casa. Segundo ela, o desenvolvimento do mosquito, do ovo até a forma adulta, leva de três a sete dias. Esse período varia de acordo com a temperatura e quantidade de chuvas na região. "Se o intervalo para limpeza dos domicílios ou comércios for maior do que uma semana, o cidadão estará permitindo que o mosquito nasça", afirmou Cleide.
A coordenadora do Programa Estadual de Controle da Dengue, Themis Buchmann, comentou sobre o poder de adaptação do mosquito. "O Aedes está cada vez mais adaptado ao ambiente urbano. Eles preferem os locais onde a quantidade de pessoas é maior. Dessa maneira, as fêmeas têm maior facilidade para alimentação e mais opções de criadouros para desova." Segundo Themis, 70% dos criadouros do mosquito estão em residências. "Isso confirma que o combate à dengue, zika e chikungunya é uma tarefa de toda população paranaense", finalizou.


