Casos de aids triplicam entre as mulheres
Agência Estado
De Brasília
O número de casos de aids entre mulheres triplicou no País entre 1991 e 1996, passando de 5, 8 casos para 18 por 100 mil habitantes. A maior incidência é entre mulheres de 15 a 19 anos. Em 1991, havia uma mulher contaminada para cada 100 mil. Em 1996, esse índice aumentou para 1,5. As mulheres respondem por 41.052 dos 170.073 casos de aids notificados ao Ministério da Saúde de 1980 até hoje.
As informações estão no Boletim Epidemilógico da Aids divulgado ontem pelo ministro da Saúde, José Serra. Em todo o mundo, há 33 milhões de pessoas com a doença. O Ministério da Saúde estima, que no País, 537 mil pessoas estejam infectadas, sem ter desenvolvido a doença.
Enquanto a aids aumenta entre as mulheres, diminuiu entre os homens de 15 a 19 anos. A redução chegou a 50% nos casos novos notificados, revela o Boletim Epidemilógico. Segundo o documento, os casos caíram de 4,4 em 91 para 2 em 1996 para cada grupo de 100 mil habitantes. A taxa entre as meninas subiu de 1 para 1,5 em 1996.Os jovens incorporaram o uso do preservativo, disse o coordenador do programa de aids do Ministério da Saúde, Pedro Chequer.
Entre junho e agosto deste ano foram notificados 6.718 novos casos da doença, mantendo uma média de 21 mil casos nos últimos três anos. Serra explicou que há uma tendência de estabilização de novos casos de aids. O ministro disse que a mortalidade por aids teve uma redução de 37% entre 1995 e 1997.
Uma pesquisa encomendada pelo MS mostra que 44% dos jovens dos 16 aos 25 anos usaram camisinhas em todas as relações sexuais praticadas nos últimos 12 meses. Esse percentual é superior ao verificado no Chile, que é de 36%.
A aids também cresce entre a população de 30 a 39 anos de ambos os sexos. Segundo o ministério, a taxa de novos casos passou de 37 para 56,8, no período de 1991 a 1996. Nesse caso, a baixa escolaridade é um fator determinante. Entre os homens com 1º grau, o número de casos era de 7,4 para cada 100 mil habitantes há nove anos, mas aumentou para 13,7, em 1997. Já entre os homens com curso superior verificou-se uma tendência de estabilização.
A taxa entre mulheres com 1º grau subiu de 1,68 para 5,68. Já entre aquelas com mais escolaridade, o índice passou de 1,22 em 1990 para 3,82 em 96.
Segundo o ministro, a redução de 37% de mortes por aids deve-se à distribuição do coquetel anti-HIV. Ele informou que neste ano o governo federal investiu R$ 600 milhões na compra desses medicamentos. No próximo ano serão R$ 800 milhões. Investindo em medicamentos, o País economizou R$ 461 milhões, evitando 146 mil internações. Para reduzir os gastos com remédios, o governo federal vai fabricar os que são mais caros nos laboratórios públicos como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Fundação para o Remédio Popular (Furp), de São Paulo. Serra quer que o País produza até o final do próximo 70% dos medicamentos usados no coquetel anti-aids.
No Rio, os grupos de ativistas gays Arco-íris e Atobá vão entrar na Justiça, até o fim da semana, pedindo a revogação da portaria nº 1.376/93, do Ministério da Saúde, que regulamenta a doação de sangue. Eles consideram a norma preconceituosa por impedir que pessoas dos chamados grupos de risco doem sangue. Os grupos também vão processar o Instituto Estadual de Hematologia Hemo-Rio, por discriminar homossexuais que se oferecem como voluntários.





