Curitiba - As investigações conturbadas sobre a morte da adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), e as denúncias de tortura envolvendo policiais culminaram na troca do comando da Polícia Civil do Paraná. O secretário de Segurança Pública, Cid Vasques, confirmou ontem que o delegado-geral Marcus Vinícius Michelotto colocou o cargo à disposição após uma reunião realizada na segunda-feira. O substituto dele é Riad Braga Farhat, que respondia pela Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc). A posse do novo delegado deve ocorrer nos próximos dias.
A Corregedoria do órgão também terá mudança. Valmir Soccio, da Divisão de Infraestrutura da Polícia Civil, vai assumir o cargo de Paulo Ernesto Cunha.
Durante coletiva na sede da Sesp, Vasques declarou que "não há como negar que o caso Tayná gerou uma crise na Polícia Civil". "Quando uma instituição policial é questionada de maneira muito convincente naquilo que ela tem de primordial, que é sua legitimidade de atuação, evidentemente temos que reconhecer que há um momento de crise", disse.
Três dias depois do desaparecimento, o corpo de Tayná foi encontrado em um matagal do bairro São Dimas, em Colombo. Quatro suspeitos, que trabalhavam em um parque de diversões, foram presos. A polícia chegou a afirmar que o grupo havia confessado o crime. No entanto, depois de uma visita da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Paraná (OAB-PR), e de depoimentos ao Ministério Público (MP), os quatro disseram que assumiram o assassinato porque foram torturados. Dias depois, os suspeitos foram incluídos no Programa de Proteção a Testemunhas e 15 suspeitos, incluindo dez policiais civis, tiveram os mandados de prisão preventiva expedido pela Justiça de Colombo.
"Todas as providências no sentido de reprimir a atuação dos maus policiais foram tomadas num curto prazo e essas medidas de cunho administrativo vêm para que uma correção de rumo seja estabelecida. As investigações do caso Tayná agora serão acompanhadas pelo novo delegado-geral", destacou Vasques.
O secretário fez questão de frisar que a escolha de Riad para assumir o cargo foi baseada em sua folha de serviços e da reputação que ele tem na Polícia Civil. "É um momento de retomada de rumos e devem ser feitas novas alterações (além da Corregedoria). Vamos estabelecer também um estreitamento de relações com a PMPR para a realização de novas operações. A questão agora é o futuro", apontou.
Antes de passar pela chefia da Denarc, Riad havia feito carreira como delegado do Grupo Especial Tigre, equipe de elite da Polícia Civil, criada em 1990, especializada em sequestros.
Michelotto estava no cargo desde janeiro de 2011 e vai continuar atuando em outros departamentos da polícia, assim como o delegado Paulo Ernesto, que chefiava a Corregedoria. Numa nota divulgada no site da Polícia Civil, Michelotto diz que "a respeito da saída, tem a dizer que foi decidida em comum acordo, num momento de oxigenação". Além disso ele pede apoio para o novo delegado-geral.

Tortura
A Corregedoria da Polícia Civil está apurando as denúncias de tortura contra os quatro jovens suspeitos da morte da adolescente Tayná, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O coordenador do Gaeco, Leonir Batisti, informou que a mudança no comando da Polícia Civil não altera o andamento das investigações. Segundo ele, a Corregedoria instaurou um procedimento administrativo para apurar as denúncias, e o Gaeco comanda o procedimento criminal. "Os depoimentos devem ocorrer nos próximos dias. Esperamos concluir o procedimento até semana que vem para poder oferecer denúncia à Justiça", disse.

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