Santiago, 13 (AE-AP) - A campanha para a eleição presidencial no Chile de domingo, disputada pelo governista Ricardo Lagos e o candidato da direita Joaquín Lavín, terminou hoje (13) com a intromissão do caso do general Augusto Pinochet, que dominou a cena política local.
O anúncio do ministro do Interior da Grã-Bretanha, Jack Straw, de libertar Pinochet porque sua saúde não permitiria enfrentar um julgamento na Espanha, repercutiu fortemente no Chile e os candidatos à presidência dedicaram a maior parte de suas últimas declarações de campanha ao tema.
Os dois candidatos disputam o segundo turno, no domingo, porque na primeira votação, em 12 de dezembro, terminaram tecnicamente empatados.
Lagos e Lavín concordaram que Pinochet deverá enfrentar os tribunais de justiça chilenos e, também, que o ex-ditador deveria sair da vida política e não exercer seu cargo de senador vitalício.
Durante a campanha, Lavín procurou estar afastado de Pinochet, da mesma forma que fizeram os partidos da direita que o apóiam.
Lavín foi um funcionário do regime militar que trabalhou para que Pinochet permanecesse na presidência até 1997, mas ele antecipou que ante uma eventual volta de Pinochet ao Chile, depois de permanecer por mais de 15 meses detido em Londres, não poderia esperar o ex-ditador no aeroporto porque logo depois da eleição sairia de férias.
Lagos, por sua vez, disse que - se for eleito presidente - garantirá o trabalho do Poder Judiciário caso a decisão seja julgar Pinochet no Chile. O anúncio foi feito depois que a secretária-geral do Partido Comunista, Gladys Marín, declarou que muitos simpatizantes comunistas não votariam em Lagos.
Mesmo que os votos dos comunistas sejam apenas 225.000, no universo de oito milhões de eleitores, serão indispensáveis para Lagos, porque no primeiro turno o candidato do governo ficou à frente de Lavín por 30.000.
O próprio Lavín e seus assessores abriram a possibilidade de aumentar o período de espera da apuração para saber se Lagos vencerá o segundo turno, antecipando que se a diferença de votos não for grande vão aguardar o veredicto do Tribunal Eleitoral, que pode durar cerca de duas semanas. No entanto, Lagos diz que será presidente no domingo nem que ganhe por um voto.

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