Caso Evandro vai a novo julgamento
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sexta-feira, 12 de março de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Familiares do menino Evandro Ramos Caetano, de 7 anos, assassinado em abril de 1992 supostamente num ritual de magia negra, em Guaratuba, litoral paranaense, aguardam para o mês que vem o julgamento de três dos sete denunciados pelo Ministério Público (MP) estadual como autores do crime. Devem sentar novamente no banco dos réus no dia 19 de abril o pai-de-santo Osvaldo Marcineiro, o ajudante do terreiro Vicente de Paula Ferreira e o artesão Davi dos Santos Soares. Os três já foram levados a júri por várias vezes. Entretanto, não foram julgados. A última tentativa de julgamento foi em 1999, quando depois de sete dias de júri, o advogado de defesa abandonou o plenário por suposto cerceamento do direito de defesa dos réus.
De acordo com a confissão feita pelos acusados depois da prisão, o ritual satânico teria sido encomendado por Beatriz e Celina Abagge mulher e filha do então prefeito de Guaratuba, Aldo Abagge. Elas estariam querendo garantir fortuna para a família. Ferreira teria orientado que o sacrifício teria que ser feito com uma criança loira de olhos claros. Ele mesmo teria sacrificado o garoto no dia 7 de abril no suposto ritual macabro, um dia após o sequestro de Evandro, no trajeto entre a escola e a casa onde morava.
A confissão teria sido obtida, segundo a defesa, depois de várias sessões de tortura. Os denunciados alegaram que não se conheciam e que foram obrigados a descrever os fatos conforme orientação da Polícia Militar (PM), que queria dar uma resposta rápida para o crime. As chamadas ''bruxas de Guaratuba'', como foram conhecidas na época, chegaram a ser julgadas em abril de 1998 e foram absolvidas por cinco votos contra dois. Os jurados negaram a materialidade do crime, não reconhecendo que o cadáver encontrado num matagal em Guaratuba era mesmo de Evandro. O corpo do menino estava sem cabelos, mãos, dedos dos pés e órgãos internos.
O MP conseguiu a anulação do julgamento com base nos exames odontológicos e de DNA do corpo, que deram comprovação de 99,997% de que o cadáver era mesmo de Evandro Ramos Caetano. O julgamento mais longo do Brasil, que durou 34 dias, deverá ser marcado depois que o recurso especial contra a decisão do Tribunal de Justiça (TJ) de anulação do júri for analisado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Foram designados para atuar no caso os promotores Paulo Sérgio de Lima, Dicésar Augusto Krépsky e Lúcia Inez Giacomith.
Além de Celina e Beatriz Abagge, ainda deverão ser julgados Sérgio Cristofolini e Airton Bardelli dos Santos. Apesar de terem tido o privilégio de responder a acusação em liberdade, todos passaram mais de quatro anos presos. Em caso de absolvição, os acusados poderão pedir indenizações milionárias contra o governo do Estado na Justiça.


