O assassinato da professora de música Maria Estela Correia Pacheco completa 17 anos neste sábado (14) sem que nenhum julgamento tenha acontecido. Quase duas décadas após a ocorrência de um dos casos de feminicídio mais emblemáticos já registrados em Londrina, seis julgamentos foram marcados e todos eles acabaram sendo adiados. O último deveria ter ocorrido em março deste ano e após um pedido de desaforamento feito pela defesa do réu, o novo julgamento sequer tem data marcada. O acusado de cometer o crime, o agropecuarista Mauro Janene Costa, responde ao inquérito em liberdade.

A professora foi assassinada no dia 14 de outubro de 2000, aos 34 anos de idade. Um laudo do Instituto de Criminalística apontou que ela teria morrido dentro do apartamento de Costa, no 12º andar de um edifício localizado na região central da cidade, e cerca de 40 minutos mais tarde o corpo teria sido arremessado pela sacada, a uma altura de 36 metros. O agropecuarista, no entanto, nega a autoria do crime e alega que Pacheco teria caído da sacada do apartamento enquanto ameaçava se jogar.

Em março passado, o desembargador Clayton Camargo, do TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná), afirmou que a decisão pela suspensão do julgamento marcado para 8 de março seria uma "medida aconselhável" para que pudesse ser apreciado o pedido de desaforamento feito pela defesa do agropecuarista, ou seja, a transferência do julgamento para outra comarca.

A defesa de Costa alegou que o caso teve grande repercussão na cidade e que haveria uma campanha contra o réu na internet conduzida pelo movimento Justiça para Estela, formado por amigos e familiares da professora. O pedido de desaforamento foi acatado ainda em março pelo próprio desembargador Clayton Camargo e o julgamento deve acontecer em Ponta Grossa (Campos Gerais). A data, no entanto, ainda não foi marcada por aquela comarca.

Corpo de Estela Pacheco foi arremessado do 12º andar de um edifício
Corpo de Estela Pacheco foi arremessado do 12º andar de um edifício | Foto: Arquivo Pessoal



"Desconheço a pauta da comarca de Ponta Grossa, mas acredito que o julgamento poderia acontecer ainda neste ano, mas sinceramente, acredito que não vai acontecer", disse o advogado auxiliar do Ministério Público, Marcos Ticianelli. Segundo ele, o desaforamento está saindo agora do Tribunal de Justiça para ir para Ponta Grossa para que a comarca decida a nova data para o júri.

"Cada um dos adiamentos dos julgamentos teve um motivo diferente. Alguns foram particulares do advogado que era da causa (Mauro Viotto), outros por pedidos da Justiça. Foi uma série de questões que foram suscitadas sempre às vésperas do júri e com o objetivo do julgamento não sair. A morosidade da Justiça, junto com as possibilidades que a defesa teve de tentar adiar acabou chegando nesse estágio de caos de tempo", avaliou Ticianelli.

A lentidão no início do julgamento de Mauro Janene Costa preocupa Ticianelli e a família da professora. O crime poderá prescrever em 2022. Para o advogado, a decisão do TJ-PR pelo desaforamento foi de "extremo rigor". "É uma exceção que teria que ter fatos bastante fortes para tirar de uma cidade para outra. Penso que houve um rigorismo bastante exagerado."

A filha da professora de música, a jornalista e advogada Laila Pacheco Menechino, lembra que ainda há muitas etapas do processo para acontecerem o que aumenta o risco de prescrição do crime. Foi para evitar ainda mais lentidão no processo que os familiares optaram por não entrar com nenhum recurso para evitar o desaforamento. "Caberia recurso nosso, mas não fizemos para não dar causa a mais atrasos. Não dá mais. Apesar de não concordarmos com a decisão, não vamos ser a causa de mais demora. Estou preocupada que o júri fique para o ano que vem. É mais um ano que passa sem solução", lamentou Menechino. "A realização do júri ainda é o começo e nem esse começo ainda não aconteceu."

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Mauro Janene Costa.

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