Washington, 12 (AE-AP) - O doloroso drama de Elián González voltou a despertar a atenção para a influência exercida pelos cubano-americanos no sitema político dos Estados Unidos, um peso muito superior a seu número.
O destino do náufrago de seis anos já foi assunto até da campanha presidencial de 2000 e continua a ecoar nos salões do Congresso.
Ainda assim, ativistas anti-Fidel e seus aliados no Congresso, que por anos têm conseguido manter um embargo econômico dos EUA contra Cuba, estão tendo dificuldades desta vez para atrair apoio.
Talvez seja porque pesquisas de opinião pública mostrem que a maioria dos americanos acredita que Elián deve ser reunido com seu pai cubano. Ou porque as imagens têm mostrado um fervor nas ruas da Pequena Havana, em Miami, que muitos americanos acham difícil entender.
Um projeto de lei concedendo cidadania americana a Elián, um cavalo de batalha do lobby cubano-americano, tem sido silenciosamente deixado de lado tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado.
Outro projeto de lei, para conceder a Elián e à sua família cubana status de residentes permanentes, parece não estar indo a lugar nenhum, apesar de ter ganho muita atenção depois que o vice-presidente Al Gore inesperadamente - e surpreendente para muitos colegas democratas - a o endossou no final do mês passado.
"Eu vejo muito pouco apoio para o caso fora da comunidade anti-castrista. A opinião pública mudou", disse James Thurber, um cientista político da Universidade Americana. "A maioria dos americanos apenas quer que o menino seja devolvido a seu pai".
Mas não falta comprometimento ou energia para aqueles que querem evitar que Elián volte para Cuba.
"Este é um assunto que está sendo tratado de forma muito passional", afirmou o senador da Flórida Bob Graham, um democrata de Miami cujas posições radicalmente anti-Fidel o colocam no mesmo campo de republicano conservadores como os senadores Jesse Helms, da Carolina do Norte, e Bob Smith, de New Hampshire, e o representante Dan Burton, de Indiana.
E Grahm, um moderado nas votações do Congresso, agora encontra-se na posição de ter de defender sua cidade-natal de sugestões de extremismo.
"A comunidade de Miami é uma comunidade respeitadora da lei"
disse Graham. Mas ele acrescenta: "Acredito que enquanto ela irá respeitar qualquer que seja a decisão final da justiça, o nível de respeito à decisão será muito influenciado pela forma como esta determinação legal seja alcançada".
Cubano-americanos no sul da Flórida - eles ainda se rotulam de exilados - têm uma posição viceral contra a tirania de Fidel Castro, reforçada cada vez que outro refugiado chega às praias da Flórida. Visões semelhantes contra Fidel existem em Hudson County, Nova Jersey, a maior comunidade cubano-americana fora da Flórida.
Mas fora destes dois encraves, outros americanos, incluindo outros hispanos, não parecem compartilhar das frustrações reprimidas ou o antagonismo passional a Fidel.
Na verdade, alguns congressistas têm sugerido que o caso Elián González pode levar a uma melhoria das relações entre EUA e Cuba.
"Eu penso que o caso está fazendo com que muita gente em todo o país - fora da Flórida - lembre da natureza única de nossa relação com Cuba e comecem a questionar se ela não deveria ser revista", disse o líder da minoria no Senado Tom Daschle, de Dakota do Sul. "E eu penso que muitas pessoas pensam assim. Eu sei que em Dakota do Sul elas pensam assim", acrescentou o democrata.
Daschle defendeu um "novo caminho" nas relações com Cuba, com mais trocas e interações, uma trilha que segundo ele tem sido gradualmente iniciada pela administração Clinton.
Ainda assim, o presidente Bill Clinton trabalhou duro para cortejar o voto cubano-americano, assim como Gore está fazendo agora. Cubano-americanos de Miami ajudaram Clinton a se tornar o primeiro candidato presidencial democrata desde Jimmy Carter em 1976 a vencer em Dade County (Grande Miami).
A secretária de Estado Madeleine Albright disse numa recente entrevista à Associated Press que tem sido difícil melhorar as relações com Cuba, em muito por causa de Fidel, a quem ela chamou de "um dinossauro no sistema".
A derrubada por parte de Cuba de dois aviões do grupo de exilados cubanos Irmão para o Resgate em 1996, que custou a vida de quatro tripulantes, "tornou impossível" dar continuidade à melhoria das relações. "Infelizmente", disse ela.
"Todo mundo tem de admitir de início que nossa relação com Cuba é diferente", afirmou Albright.
Enquanto isto, aqueles no Congresso que querem que Elián permaneça nos EUA continuam a pressionar seu caso passional contra Fidel, mesmo que seus discursos não estejam provocando grande reação entre seus colegas.
"Fidel tem usado esse pai para manipular tanto Cuba quanto os Estados Unidos", afirmou o senador republicano Connie Mack, da Flórida, autor do negligenciado projeto de lei de cidadania para Elián. "E até agora, Fidel tem sido bem sucedido".

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