Caso Elián faz advogado de Clinton defender posição de Fidel Da enviada especial MONICA YANAKIEW
Miami, 07 (AE) - Para os EUA, que na última década comemorou o fim do império soviético e o maior período de prosperidade em toda a sua história, Cuba ainda é um país inimigo, dos tempos da guerra fria contra o comunismo. Enquanto promove a adesão da China à Organização Mundial do Comércio, a superpotência mantém o embargo à pequena ilha, governada há 41 anos por Fidel Castro.
Mas nos últimos quatro meses, uma batalha judicial pela custódia de um menino de 6 anos fez com que o presidente dos EUA
Bill Clinton, e Fidel unissem esforços em torno de um mesmo objetivo: garantir que Elián seja repatriado a Cuba, para viver com seu pai, Juan Miguel González.
A peça-chave nessa complicada negociação política e diplomática - que comocionou a comunidade cubana no Estado da Flórida e repercutiu de forma negativa na campanha do vice-presidente dos EUA, Al Gore, para as eleições presidenciais de novembro - é Gregory Craig.
O advogado de 55 anos, que defendeu Clinton no processo de impeachment, foi contratado para representar Juan Miguel e impedir que o tio-avô de Elián, Lázaro González, mantenha o menino em sua casa em Miami.
Mas Craig - assegurou à AE um de seus amigos - está desempenhando um papel muito mais importante que o de simples advogado. Ele se converteu num embaixador do governo americano junto a Cuba, país com o qual os EUA rompeu relações diplomáticas há quatro décadas.
Craig reúne todas as credenciais de emissário diplomático. Na década de 80, foi assessor do senador democrata Ted Kennedy e viajou várias vezes a Cuba, para negociar a liberação dos últimos prisioneiros da fracassada invasão da Bahia dos Porcos - a operação montada pela CIA, no governo de John Kennedy.
O advogado (colega de universidade de Bill e Hillary Clinton) também defendeu o governo do Panamá contra Manuel Noriega, cuja presidência acabou quando tropas americanas invadiram o país, para sequestrá-lo e julgá-lo por tráfico de drogas. Recentemente Craig foi consultor da secretária de Estado americana, Madeleine Albright.
Foi Craig que finalmente convenceu Fidel a deixar que Juan Miguel viajasse ontem a Washington, acompanhado apenas pela segunda mulher e o filho pequeno, para reclamar a custódia de Elián. Não foi fácil. Existe o risco de que o pai do menino reúna toda a sua família, como querem os governos americano e cubano, mas decida pedir asilo político e permanecer nos EUA.
Até esta semana, Fidel só aceitava enviar Juan Miguel aos EUA se ele fosse acompanhado por 27 pessoas, entre os quais o presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón. Craig viajou para Havana para convencê-lo a ser mais flexível.
O advogado explicou que, apesar de ter o maior interesse em resolver o caso Elián rapidamente, o governo americano não poderia aceitar uma comitiva tão grande. Estaria justificando os argumentos da comunidade cubana na Flórida, de que Juan Miguel exige o retorno do filho por ordens de Fidel e só pode sair de Cuba se estiver cercado por agentes do regime comunista.
Num encontro com Juan Miguel, Craig disse que ele só poderia recuperar Elián se viajasse aos EUA. Não havia qualquer garantia de que a criança seria entregue ao pai imediamente, mas a vitória de seu cliente estava assegurada. O advogado já acertara sua estratégia com o governo americano.
O primeiro passo seria o encontro, de hoje, entre Juan Miguel e a secretária da Justiça, Janet Reno, em Washington. O governo dos EUA tentaria negociar a entrega de Elián ao pai. Na falta de um acordo, o Serviço de Imigração e Naturalização mandaria uma carta, retirando a custódia que concedera a Lázaro, transferindo-a para Juan Miguel.
Fidel não gostou da proposta de Craig, mas acabou cedendo, depois de impor uma condição: o advogado sairia de Havana um dia antes de Juan Miguel. Ele não queria dar a impressão de que o plano para resgatar Elián fora obra do advogado de Clinton.
Para Fidel, a volta de Juan Miguel e seu filho representa uma vitória contra os EUA e uma prova de que hoje, como durante a Revolução Cubana de 1959, é o único capaz de defender o povo cubano da dominação americana.





