Caso é o terceiro conhecido este mês
São Paulo, 25 (AE) - Rebeliões e fugas são problemas recorrentes nas unidades da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem). Só este mês houve pelo menos outros dois casos informados (na Raposo Tavares e na Parada de Taipas), além do ocorrido hoje no Tatuapé, e duas em junho.
Em maio, foram cinco casos (três deles em uma semana). Num dos mais violentos desse trio, no dia 4 de maio, 600 internos da Febem do Tatuapé rebelaram-se e fizeram reféns seis funcionários e um menor. Três unidades foram destruídas.
Casos como esses são consequência, segundo especialistas, de deficiências como superlotação, falta de funcionários, às vezes malqualificados, e instalações inadequadas. São causas ainda as poucas atividades pedagógicas e de lazer e a truculência interna
entre outras coisas.
Sem a correção dessa situação, as rebeliões tendem a repetir-se, conforme o Sindicato dos Trabalhadores em Assistência ao Menor a à Família do Estado de São Paulo.
Há dois meses, quando ocorreram três fugas e rebeliões em apenas uma semana, o juiz Régis Rodriguez Bonvicino, corregedor da Febem, disse que já havia alertado a presidência da instituição sobre o problema. Para impedir a superlotação e a revolta dos menores, recomendou melhor atendimento e a descentralização das unidades.
No início de 1998, após duas grandes fugas da unidade da Imigrantes, o promotor Ebenezer Salgado Soares definiu: "A Febem não está preocupada em reeducar, mas em administrar o caos."
Segundo a Promotoria da Infância e da Juventude, os adolescentes estão envolvendo-se mais em casos de violência. Desde 96, o aumento de menores que cometem furtos, roubos, tráfico e homicídios é estimado em 30% ao ano.





