Caso do Morro do Boi pode estar perto do fim
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sábado, 30 de janeiro de 2010
Marcela Rocha Mendes<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - Há um ano, a estudante de Educação Física Monik Pergorari de Lima, na época com 23 anos, viveu uma experiência dramática. Durante um passeio com o namorado, Osíris Del Corso, 22 anos, na cidade de Matinhos (Litoral do Estado), foram abordados por um estranho que pouco depois mostrou uma arma e os levou a um lugar ermo. Ameaçados, os jovens reagiram ao agressor, que atirou várias vezes contra os dois e fugiu. O rapaz morreu na hora. Ela foi atingida na região do abdome, mas sobreviveu. O homem voltou ao local, durante a noite, e abusou sexualmente da jovem que, sem sensibilidade abaixo da cintura, pensou ter sido estuprada. Às vésperas do primeiro aniversário do crime, o caso pode estar chegando ao fim.
Aconteceu no dia 31 de janeiro de 2009 no local chamado Morro do Boi - como o crime ficou conhecido-, balneário de Caiobá. Monik foi resgatada com vida e o país inteiro acompanhou seu drama. Ela foi diagnosticada paraplégica. A breve vida do jovem Osíris também ficou pública. Membro do Rotary Clube, seu voluntariado virou exemplo e seu nome lembrado em passeatas contra a violência.
Agora, longe dos ''holofotes'', Monik que se mudou para João Pessoa (PB) há cerca de 4 meses, na companhia da mãe e da irmã mais nova, agora foca no seu tratamento. ''Curitiba é muito frio, por isso me recomendaram ir para um lugar mais quente. Estou fazendo fisioterapia três vezes por semana, além do trabalho em casa. Já mexo a barriga, que antes não conseguia, e um pouco a perna esquerda. Os médicos dizem que a recuperação leva em torno de dois anos. Pode até levar mais que isso, mas eu vou voltar a andar'', garante.
A jovem comenta a decisão de deixou a faculdade e os amigos do Paraná. ''Foi uma mudança muito difícil. Em Curitiba, eu saía de manhã e voltava só à noite por causa das aulas e do voluntariado. Agora a vida da minha família é cuidar de mim''.
Ainda assim, Monik se diz tranquila sobre o que passou. ''O que aconteceu comigo acontece com muita gente. O importante é que eu vou me recuperar''. E consegue ver um lado positivo no destino do namorado: ''O Osíris pagou com a própria vida para que isso não aconteça com outras pessoas.'' Ela comentou também sobre a saudade do companheiro e disse que ainda mantém uma relação próxima com os pais dele. ''Eu virei filha deles''.
Quando estiver ''70%'' ela diz que espera retomar a vida em Curitiba. E que não teria problemas em retornar ao litoral. ''Se o Juarez continuar preso, eu não tenho medo de nada'', diz, referindo-se a Juarez Ferreira Pinto, reconhecido por ela como o agressor e principal suspeito do crime.
Um ano depois, Monik afirma ter convicção de que ele é a pessoa que tirou a vida de Osíris e atirou contra ela. ''Graças a Deus que ele está preso e está sendo julgado''.
Vítima e suspeito conhecerão a sentença judicial nos próximos dias. A defesa apresentou as alegações finais do julgamento na última quinta-feira (28). Como os advogados não pediram diligências, o(a) juiz(a) deve decidir sobre a inocência ou culpa do acusado em até dez dias. Mas, devido à complexidade do caso, pode haver uma demora.
Monik pede que rezem por ela. E, apesar de demonstrar coragem, admite: ''Tenho medo que os amigos deles queiram se vingar de mim. Mas me recuso a ficar fechada em casa para sempre''. O próximo objetivo, diz ela, é retomar os estudos. E voltar a andar.


