Caso Carli: Gaeco não vai investigar multa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Adriana De Cunto<br>Reportagem Local 
Curitiba - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão ligado ao Ministério Público (MP), descartou investigar a imagem de uma multa de trânsito de 2009 ocorrida quatro minutos antes e a poucos metros do local do acidente que matou Gilmar de Souza Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20, em Curitiba. Os dois jovens ocupavam um Honda Fit que foi atingido pelo Volkswagen Passat importado conduzido pelo ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho.
O pai de uma das vítimas, Gilmar Yared, se reuniu ontem à tarde com o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti, e levou a imagem da multa. A família Yared recebeu a cópia desse delito de trânsito na última segunda-feira e Gilmar divulgou a notícia no dia seguinte, em seu perfil, no Facebook. Para a família, a imagem seria prova de que os radares da Rua Monsenhor Ivo Zanlorenzi estariam funcionando normalmente no dia do acidente. A colisão entre os dois veículos aconteceu na esquina da Ivo Zanlorenzi com a Rua Paulo Gorski, no bairro Mossunguê. Exatamente nessa esquina não há radares. O radar localizado 600 metros antes não captou imagem do Passat do ex-parlamentar. Segundo informações da Consilux, empresa que administra os radares, esse equipamento estava com defeito e deixou de captar imagens dos automóveis que passaram em uma das três faixas da Ivo Zanlorenzi.
Em nota, a Prefeitura de Curitiba confirmou que, com base nos dados repassados pela Consilux, o município emitiu um auto de infração na Rua Ivo Zanlorenzi, à 0h50 do dia 7 de maio de 2009, para um automóvel VW Gol 1.0 - como é descrito na imagem recebida por Gilmar. Mas a prefeitura reforçou que o radar que registrou a infração estava localizado após o local do acidente.
Para o coordenador do Gaeco, a multa que chegou às mãos dele ontem não interfere nas investigações. Carli Filho é acusado de duplo homicídio com dolo eventual, porque estaria embriagado e dirigindo em alta velocidade. O júri popular de Ribas Carli, que estava marcado para começar hoje, foi suspenso na semana passada por decisão do Supremo Tribunal Federal, até que um recurso pendente seja julgado. A FOLHA não conseguiu, ontem, contato telefônico com Gilmar Yared.


