Caso Bateau Mouche é exemplo de impunidade
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quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Adriana Ferreira 
Rio, 16 (AE) - O naufrágio do Bateau Mouche IV no réveillon de 1988, no qual morreram 55 pessoas, é um exemplo de impunidade. Dos oito sócios da empresa Bateau Mouche Rio Turismo Ltda apenas dois foram condenados em processo criminal: álvaro Pereira da Costa e Faustino Puertas Vidal. Outro sócio da empresa, Avelino Fernandez Rivera responde por sonegação fiscal. Foragidos, os três estão vivendo confortavelmente no exterior. Até hoje, as famílias das vítimas não foram indenizadas.
Os outros sócios da empresa são: Ramon Rodriguez Crespo, Geraldo Morgade Senra, Pedro Gonzalez Mendez, José Ramiro Gandara Fernandez, Juan Carlos Rodriguez. São 33 processos que estão no Tribunal Regional Federal; na Justiça Federal para serem julgados em primeira instância e no Superior Tribunal de Justiça. Há ainda cinco processos na Justiça Estadual. Eles foram abertos no ano passado para o pagamento de indenizações menores.
"A Justiça Estadual está sendo muito mais ágil", diz o advogado da Associação Bateau Mouche Nunca Mais, João Tancredo. De qualquer forma, Tancredo diz que desistiu de falar em prazos. "Hoje tenho até vergonha de dizer que sou advogado das vítimas do Bateau Mouche", lamenta.
O português álvaro Pereira da Costa e Faustino Puertas Vidal chegaram a cumprir pena em regime semi-aberto. Em fevereiro de 1994 os dois deixaram a prisão para trabalhar e nunca mais voltaram. Eles fugiram para a Espanha com o sócio Rivera, que acabara de ter sua prisão decretada no processo de sonegação fiscal.
No ano passado, Rivera e Vidal foram localizados em Vigo
na Espanha. Rivera é proprietário de uma concessionária Mercedes-Benz na Espanha. álvaro Pereira da Costa está vivendo em Gaia, Portugal. Foi feito um pedido de extradição dos três sócios, mas, até agora, não houve resposta. O processo contra Vidal já foi iniciado e ainda está sendo analisado pelo Governo espanhol. Para o caso de Rivera foram pedidos outros documentos para que o processo seja iniciado. O governo português pediu mais documentos para analisar se deve ou não ser aberto um processo de extradição.
Os bens dos empresários envolvidos no caso Bateau Mouce estão indisponíveis. Segundo o advogado João Tancredo, o pagamento de indenizações às famílias das vítimas do naufráugio deve ser de R$ 60 milhões.


