São Paulo, 10 (AE) - O caseiro Sandro de Souza, de 23 anos, foi condenado hoje (10) a 27 anos e 20 dias de prisão por violentar e matar a estudante Alexandra Russel Keer, de 15 anos, filha de seu patrão. A decisão dos sete jurados foi unânime.
O crime ocorreu em 8 de março de 1997, na casa da família da vítima, no Morumbi, zona sul de São Paulo. Os jurados aceitaram todos as teses da acusação por unanimidade, exceto uma, a de o crime teve um motivo torpe - foram 6 votos a 1.
O juiz João Carlos Sá Moreira de Oliveira fixou a pena em 19 anos e 20 dias para o homicídio e 8 anos para a violência sexual. Mesmo assim, a promotora Eliana Passarelli disse que vai recorrer da condenação. "O réu merece uma pena maior pelo seu crime." O advogado de defesa, Casemiro Narbutis Filho, também deve recorrer.
O ponto alta dos debates foi o momento em que a promotora tirou do processo a faca usada no crime, ainda com sangue da vítima, e a exibiu aos jurados.
O julgamento começou às 10h. Dez testemunhas deveriam depor, mas cinco foram dispensadas pela defesa e pela acusação após o interrogatório do réu. Isso porque Souza confessou o assassinato e, pela primeira vez, admitiu ter violentado a vítima.
A promotora defendeu a tese de que o acusado matou a estudante usando um meio cruel, agindo sem dar chance de defesa à estudante e por motivo torpe. Com agravante: Souza abusou da confiança da estudante, para atraí-la e matá-la.
No dia do crime, o caseiro despertou a adolescente no começo da manhã. Tirou-a da cama e levou-a até o salão de jogos da casa
onde a atacou e a amarrou. Depois de violentá-la, Souza matou-a com 11 facadas. Após o crime, ele passou uma corda por cima do galho de uma árvore no quintal da casa e, segundo ele, tentou enforcar-se. O galho quebrou e ele fraturou a perna. A família da estudante encontrou-o sentado no chão e chamou a polícia. "Não sei se estava tentando se suicidar ou fugir da casa", disse a promotora.

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