São Paulo, 10 (AE) - O caseiro Sandro de Souza, de 23 anos, começou a ser julgado hoje pelo 5.º Tribunal do Júri de São Paulo. Ele foi preso em flagrante e acusado da morte da estudante Alexandra Russel Keer, de 15 anos, filha de seu patrão. O crime ocorreu em 8 de março de 1997, na casa da família da vítima, no Morumbi, zona oeste de São Paulo.
O julgamento começou às 10 horas. Dez testemunhas deveriam depor, mas cinco delas foram dispensadas pela defesa e pela acusação após o interrogatório do réu. Isso porque Souza confessou o assassinato e, pela primeira vez, admitiu ter violentado a vítima.
A promotora Eliana Passarelli, responsável pela acusação
defendeu a tese de que o acusado matou a estudante usando meio cruel, agindo sem dar chance de defesa à estudante e por motivo torpe. Ainda haveria uma agravante no crime: Souza abusou da confiança da estudante, para atraí-la e matá-la.
No dia do crime, o caseiro despertou a adolescente no começo da manhã. Tirou-a da cama e levou-a até o salão de jogos da casa, onde a atacou e a amarrou. Depois de violentá-la, Souza a matou com 11 facadas. O caseiro foi pego pela própria família. Após o crime, ele passou uma corda por cima do galho de uma árvore no quintal da casa e, segundo ele, tentou enforcar-se. O galho quebrou e ele fraturou a perna. A família da estudante encontrou-o sentado no chão e chamou a polícia, que o deteve. "Não sei se estava tentando se suicidar ou fugir da casa", disse a promotora.
Das testemunhas ouvidas, duas eram parentes da estudante e três, amigas do caseiro. Estas disseram que conheciam Souza e ele não era violento. Casemiro Narbutis Filho, advogado do réu, defendeu a tese de que o crime foi passional e o réu não mereceria a pena máxima, pois, além de confessar o delito, não teria agido movido por motivo torpe. A sentença será dada pelo juiz João Carlos Sá Moreira de Oliveira. (Marcelo Godoy)

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