Caseiro conta como matou filha do patrão
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domingo, 09 de março de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - O caseiro Sandro Souza, 21 anos, que confessou ter assassinado com 11 facadas a estudante Alexandra Patrícia Russel Kerr, 15 anos, na manhã de sábado, contou ontem que estava apaixonado pela moça, se diz arrependido e promete se matar.
Ela me disse que tinha um namorado no Rio de Janeiro, que não queria nada comigo; fiquei muito furioso. Ele está preso no 14º Distrito, em Pinheiros.
Patrícia era filha do seu patrão, o empresário Alasdair Kerr, e foi morta na sala de jogos da mansão da rua Osvaldo Leite Ribeiro, 187, Morumbi - Zona Sul. Depois do assassinato, Souza tentou se suicidar. Amarrou um fio de cobre no pescoço e tentou se enforcar num eucalipto. O fio rompeu, ele caiu e quebrou uma perna.
Souza contou como matou a estudante e falou sobre sua vida na casa dos Kerr. Repetiu ter aprendido com Alexandra e o irmão dela, George Andrew, 17 anos, a gostar de ginástica e atletismo.
Sou um fã da força, faço esteira, corrida e levanto peso todos os dias. Nas paredes do seu quarto havia fotos dos atores Jean-Claude Van Damme e Arnold Schwarzenegger. Queria ficar com o corpo igual ao deles.
Autuado em flagrante por estupro seguido de morte, no 34º DP de Vila Sônia, Souza teve que ser transferido por segurança. Os presos ameaçaram linchá-lo. Mandei o Souza para o distrito de Pinheiros porque lá estão somente acusados e condenados por estupros, afirmou ontem o delegado João Aparecido Celeste, que autuou o assassino por crime hediondo - estupro seguido de morte. O caseiro está numa cela com outros 20 presos, todos estupradores.
Em entrevista à Agência Estado, Souza disse que gostava demais da moça: Todo o dia pensava em me casar com ela, viver com ela, mas ao mesmo tempo sabia que ela era rica e eu, pobre. A gente vê essas coisas darem certo somente no cinema. Pensei então que se não fosse pra ficar comigo, não ia ficar com ninguém.
Na mesma entrevista, contou que depois de passar a noite em claro, foi acordar Alexandra para falar de sua paixão. Aí chamou-a para a sala de jogos, que fica no subsolo. Expliquei que eu sabia que sou pobre, sem dinheiro para namorar uma moça rica como ela, mas mesmo assim queria tentar.
Ela disse que eu tinha entendido tudo errado. Fizemos sexo duas vezes e ela concordou. Não forcei nada. O delegado Celeste aceitou com reservas o depoimento do caseiro, pois acredita que ele estuprou a estudante depois de amarrá-la e amordaçá-la.


