Caseiro confessa assassinato de casal Staheli
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quinta-feira, 01 de abril de 2004
Agência Estado 
Rio- A polícia do Rio anunciou ontem um desfecho surpreendente para o crime mais misterioso dos últimos meses: o assassinato dos norte-americanos Todd e Michelle Staheli, ocorrido em 30 de novembro do ano passado, foi cometido por Jociel Conceição dos Santos, de 20 anos, que trabalhava numa casa próxima à do casal. O rapaz, que é negro, confessou ter assassinado os dois, com um pé-de-cabra, porque Todd o chamou de ''crioulo''. Mas a polícia não acredita na versão.
Santos havia escondido o pé-de-cabra na casa onde ele trabalhava, no condomínio Porto dos Cabritos, na Barra da Tijuca, junto com a roupa que ele usava no dia do crime, que foi lavada. Santos teria limpado o sangue que ficou no pé-de-cabra na própria casa. Ele disse que teria pulado o muro da mansão dos Staheli e entrado pela porta da cozinha, que fora deixada aberta. Santos teria conseguido fugir sem deixar pistas porque conhecia bem o lugar.
O empregado foi preso de madrugada, quando tentava pular o muro de outra residência do condomínio, de propriedade do cônsul da Grécia no Rio, a qual ele iria roubar. Santos foi levado para a delegacia da Barra, onde teria confessado o crime, segundo os policiais. A confissão teria sido gravada.
Aos jornalistas, ele disse que Todd o xingou e, com isso, seus filhos passaram a debochar dele. ''Não queria roubar nada. Fui para me vingar. Bati primeiro nele. Me arrependi no primeiro golpe. Eu ia sair, mas ela me viu. Bati nela e bati nele de novo'', relatou, friamente.
José Carlos Lins, chefe da segurança do condomínio, contou ontem que Santos apresentou um comportamento estranho depois do crime. ''Ele estava muito ansioso e chegou a pedir demissão da casa do patrão, mas a família pediu para ele voltar e ele aceitou, depois de muito custo.'' Lins disse que passou a monitorar os passos de Santos e percebeu que o empregado, que dormia no trabalho, deixava o condomínio de madrugada, escondido, e depois voltava. Na madrugada de ontem, os vigias flagraram Santos tentando pular o muro e chamaram a polícia.
O chefe da segurança não acredita na versão apresentada pelo funcionário. ''Não houve episódio de discriminação nenhum. Ele entrou para roubar os Staheli, eles acordaram e ele matou os dois'', defende.
A hipótese de que Todd foi morto porque era racista surpreendeu a advogada da família Staheli, Leila Zacharias. Ela disse que não está convencida de que o caso está encerrado. ''Todd nunca foi racista, nunca discriminou o motorista (Sebastião Moura), que é negro e sempre foi um bom patrão.''
Todd, diretor de Gás e Energia da Shell, e sua mulher, Michelle, foram mortos a pancadas no quarto da casa em que moravam havia três meses. Os quatro filhos deles estavam lá, mas não ouviram nada. Foram eles que descobriram os corpos sobre a cama. Todd morreu horas depois e Michelle agonizou por quatro dias no hospital.


