São Paulo, 21 (AE) - O caseiro Sandro Souza, de 23 anos, acusado do assassinato da estudante Alexandra Patrícia Russel Kerr, de 15 anos, será julgado no dia 10 de maio no Tribunal do Júri de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. O crime ocorreu na manhã de 9 de março, de 1997, na sala de jogos da residência na Rua Osvaldo Leite Ribeiro, 187, Morumbi, zona sul da capital. Depois de matar a garota com 11 facadas, Souza tentou o suicídio. Amarrou um fio de cobre no seu pescoço e num eucalipto, nos fundos da casa, subiu num muro e pulou. O fio arrebentou, ele caiu de uma altura de seis metros dentro de um fosso e fraturou a perna. Souza foi autuado em flagrante e no mesmo dia recolhido a uma das celas do 14.º Distrito Policial, em Pinheiros, destinado aos estupradores, e onde se encontra até hoje. O rapaz trabalhava na casa havia 18 meses e era tratado como da família. Na manhã do dia 9 foi ao quarto da garota, amarrou-a, amordaçou-a e a levou para o salão de jogos, no subsolo, onde a estuprou e a matou.
Na Justiça, Souza mudou o depoimento. Contou que fora ao quarto de Alexandra às 6hs30 e a convidou para correr. Assim que a garota entrou na sala de jogos ele a abraçou e disse que pretendia namorá-la. "Ela me rejeitou". Revoltado apanhou uma faca e a matou. A promotora Eliana Passarelli, que vai atuar na acusação, pedirá pena máxima: 30 anos.
No processo foram ouvidas pessoas que conheciam a garota
a família e também o acusado. Todos disseram que o acusado era tratado como se realmente fosse da família. Souza participava das atividades esportivas de Alexandra e de seus irmãos. Cultuava o corpo, queria ficar parecido com Jean-Claude Van Damme, usava os aparelhos de ginástica da casa e chegou a participar de provas de atletismo na escola de Alexandra.
A vítima e o irmão George moravam com o pai, Alasdair Russel Kerr, desde o fim de 1996. Divorciado da primeira mulher, Hélene Andreé, mãe de Alexandra e George, ele casara novamente e tinha mais dois filhos. (Renato Lombardi)

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