Curitiba- Numa cadeira de rodas, Maria da Penha relata que foi vítima do marido -com quem tinha forte amizade e respeito- após o nascimento da segunda filha do casal. ''Nosso relacionamento era muito bom. Fomos amigos de pós-graduação. Casei pensando que meu casamento seria para sempre, principalmente porque não casei motivada por paixão simplesmente'', contou. Foi quando começaram as agressões verbais diárias. No dia 29 de maio de 1983, enquanto dormia, o marido atirou nela, alegando que sofreu uma tentativa de assalto. Ela resolveu se calar.
Em casa, ele teria tentado matá-la com um chuveiro elétrico defeituoso. ''O defeito foi intencional. Ele sabia que eu estava fraca e tinha a intenção de me matar. Antes disso, ele me manteve em cárcere privado por 15 dias. Minha filha sofreu toda sorte de violência psicológica. A impunidade foi que me fez ir às ruas e lutar por Justiça'', disse. Maria da Penha denunciou o Brasil nas organizações internacionais de Direitos Humanos. O País foi condenado por manter a violência contra a mulher.
Em janeiro de 2003, foi instituída a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres -que emplacou a Lei Federal Maria da Penha. São citados três tipos de violência doméstica contra os piores no Brasil: física (que deixa marcas e provocada pela absoluta falta de controle do agressor, que atravessa a fronteira do racional), psicológica (que não deixa marcas aparentes, mas é traduzida pelo desapego, indiferença, acusações injustas, ofensas, chantagens, ameaças, gritos constantes) e sexual (onde a vítima é ameaçada).
No Paraná, o Tribunal de Justiça decidiu anteontem colocar em prática a Lei Federal e inaugurou a Vara Especializada em Violência Contra a Mulher. A procuradora Maria Teresa Uille Gomes propõe o fortalecimento dos centros multidisciplinares contra a violência feminina em todo o Estado, educação continuada, cursos profissionalizantes, estruturação das delegacias, implementação dos núcleos de defensoria, realização de campanhas para o enfrentamento da violência doméstica contra as mulheres.
''Não temos estrutura para suportarmos hoje a violência contra a mulher. A polícia não tem estrutura. A sociedade não tem estrutura. O Estado não tem estrutura. Cada um tem que fazer sua parte para reduzir os índices de violência no Brasil'', ponderou.(L.P.)

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