Todos os dias o Conselho Tutelar de Cascavel atende de dois a três casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. A maioria dos casos acontece dentro das próprias casas.
A conselheira tutelar Malvina de Jesus Mattoso afirma que o controle desse tipo de violência é difícil, pois as crianças têm medo de uma reação violenta do agressor. Ela diz que, quando as vítimas decidem relatar as agressões, a situação já está irreversível. ‘‘Na maioria das vezes quando levamos uma criança para exame médico, ela já foi violentada. O ideal seria que contassem quando começarem a ser molestadas’’, ressalta.
Malvina conta que nesta semana atendeu a uma criança de 4 anos que dizia estar sendo molestada pelo pai. ‘‘Convocamos o homem a prestar depoimento e ele disse que estava bêbado e não lembrava de nada.’’
Outro tipo de abuso sexual comum é o praticado por padrastos em enteados. Foi o caso de Adriana (nome fictício) que, aos nove anos, foi obrigada a ter relações sexuais com o marido de sua mãe. A história só foi descoberta depois que o padastro procurou o Conselho Tutelar pedindo uma autorização para viajar com a menina.
Apesar do medo, a mãe de Adriana procurou o Conselho e denunciou que ele estava querendo fugir com a menina, que insistia em esconder a verdade. Exame constatou que, além de ter sido estuprada, ela havia contraído doenças venéreas. O homem foi condenado a oito anos de prisão.
Com a concordância da mãe, Adriana foi levada para a casa de uma conselheira tutelar até que a Justiça autorizasse sua adoção por outra família. Hoje, com 16 anos, a adolescente comenta revoltada: ‘‘Se pudesse esqueceria tudo que me aconteceu. Graças a Deus encontrei uma família que realmente se importa comigo.’’
Na região de Maringá, o município de Sarandi, é o que registra o maior número de crimes de abuso sexual. Só neste ano foram denunciados dois casos de abusos sexuais contra duas meninas menores de 12 anos e um estupro. No ano passado, foram registradas cerca de 10 ocorrências do gênero, a maioria abuso sexual contra meninos na pré-adolescência.
De acordo com o delegado do Sarandi, José Maurício de Lima Filho, o fator social é a principal causa dos crimes. Ele afirma que, na maior parte das ocorrências, pai ou padrasto são os molestadores. ‘‘Eles moram em casa de apenas um cômodo, onde todos dormem juntos’’, disse.
Um dos casos que mais chocou a comunidade de Sarandi ocorreu no primeiro semestre do ano passado, quando uma garota de quatro anos foi molestada pelo tio. A menina não chegou a ser estuprada, mas foi vítima de atos libidinosos. O tio foi preso e condenado a 10 anos de prisão. ‘‘Os casos têm diminuído nos últimos anos devido às penas severas’’, comentou o delegado.(Gilmar Agassi, de Cascavel, e Lucinéia Parra, de Maringá)

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