DIA DE MOBILIZAÇÃO Cascavel faz mutirão contra a dengue Edson MazzettoREFORÇO NAS ESCOLASAlunos recebem sacos de lixo para ajudar no combate ao mosquito transmissor da doença; cidade tem pontos considerados críticos Paulo Pegoraro De Cascavel Hoje é dia de mobilização geral em Cascavel para combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue (e da febre amarela). Toda a população foi conclamada durante a semana para retirar entulhos dos quintais, que sirvam de criadouro para o mosquito. O contingente mobilizado para coordenação e recolhimento dos materiais é formado por 150 diretores de escolas, 73 agentes de saúde, 50 motoristas (com igual número de caminhões), e 150 trabalhadores braçais e soldados do 15º Batalhão Logístico do Exército. Toda essa mobilização se deve aos dezenove casos da doença investigados, sendo três confirmados. Dois deles são de pessoas que adquiriram a doença em outras regiões do País, e um contraído na cidade. Além disso, é elevado o índice de infestação do mosquito. Enquanto a Organização Mundial da Saúde admite como ‘‘aceitável’’ índice de 1% (em relação ao número de domicílios vistoriados), há bairros em Cascavel em que ele é superior a 15%. São os chamados ‘‘pontos críticos’’, como borracharias e outros locais onde se acumulam objetos que servem como depósito de água. Para agravar a situação, muitos moradores têm resistido à entrada de agentes de saúde em seus quintais, para verificar a existência de depósitos de água e retirá-los. ‘‘É vergonhoso alguém esperar que outro limpe sua casa’’, critica o secretário municipal de Saúde, Lísias Tomé. As secretarias municipal e estadual de Saúde e Fundação Nacional de Saúde repassaram às escolas (e, estas, ontem, a seus alunos) kits com noventa mil sacos de lixo para a retirada dos entulhos em suas casas, e cem mil panfletos e fôlderes orientando sobre formas de prevenção. Professores desenvolveram um trabalho de conscientização, para que os escolares atuem junto às famílias, convencendo-as da necessidade de manter quintais limpos e sem objetos (vasos e outros) que permitam o acúmulo de água. O médico infectologista Alexandre Linz observa que o País vive uma epidemia de dengue desde 1980, quatro anos após o Aedes aegypti ter voltado a proliferar no Brasil, e um ano antes da grande epidemia que ocorreu em Cuba. Linz ressalta a importância de toda a sociedade se unir no combate à dengue e à febre amarela, porque, segundo ele, ‘‘são doenças que fazem vítimas em todas as camadas sociais’’. A primeira epidemia de dengue foi registrada nas Américas em 1828, mas só em 1907 os cubanos descobriram o Aedes aegypti como transmissor da doença. Não há vacina contra a dengue, por isso a única forma de evitá-la é combater o mosquito transmissor.