Paulo Pegoraro
De Cascavel
Cascavel não vai comemorar o Dia Mundial da Água. A população tem convivido nos últimos anos com a rotina da falta de água mal explicada. A empresa nega falta de investimentos. Segundo a Sanepar, os locais mais afetados são bairros altos, onde falta pressão na rede, mas isso tem ocorrido mesmo em regiões próximas às estações de tratamento, portanto onde a pressão é forte. Sem água nos canos, o ar faz mover da mesma maneira os medidores (‘‘reloginhos’’), e, para que não paguem pelo que não consumiram, os consumidores são obrigados a pedir vistoria da Sanepar. Quando a água retorna, geralmente apresenta turbidez, resultante de partículas da tubulação.
No final do ano passado, a companhia havia anunciado que a entrada em operação de uma nova estação de tratamento, junto à de captação, no Rio Cascavel, resolveria os problemas em definitivo. Agora, o gerente, Afonso Marangoni, assegura que a solução estará na implantação de rede com maior capacidade nas zonas altas. Segundo ele, as obras (com custo de R$ 740 mil) foram licitadas duas vezes, mas não houve empreiteiras interessadas. Nova licitação foi aberta na semana passada. Marangoni nega que a companhia tenha deixado de fazer investimentos na cidade porque sua concessão, de 30 anos, vence em 2002, e relata que nos últimos dois anos a empresa investiu R$ 10 milhões na cidade.
Na Câmara tramitam projetos para municipalizar o serviço, e o autor de um deles, vereador Aderbal Melo (PT), afirma que a Sanepar, ‘‘dominada por um grupo francês’’, transformou a água, ‘‘vital para o ser humano’’, em mera ‘‘fonte de lucro’’. O autor do outro projeto, o presidente da Câmara, Misael Pereira (PFL), diz que é preciso radicalizar contra a companhia. Outro vereador, Leonaldo Paranhos (PMDB), pediu a intervenção da Promotoria de Defesa do Consumidor, inclusive porque a população ‘‘paga por água e recebe ar’’.
O prefeito Salazar Barreiros (PPB) soma-se aos protestos. Salazar afirma que, se a concessão vencesse este ano – ainda em seu mandato –, não seria renovada sem severos compromissos de parte da companhia, e sem que ela provasse competência, que teve no passado, para atender a população. O prefeito acrescenta que a privatização parcial da companhia ‘‘só piorou o serviço’’. A Sanepar capta atualmente 2.786 metros cúbicos de água por hora, no Rio Cascavel, e opera mais sete poços artesianos, para atender 63.436 unidades consumidoras.
Em Cascavel, todos os cursos d’água, inclusive o Rio Cascavel, sofrem permanente poluição de efluentes de indústrias e de despejos residenciais. Além disto, eles são depósito de lixo, de restos de materiais de construção, pneus e plásticos. O Cascavel também recebe despejos de efluentes de postos de gasolina, via rede de galerias de águas pluviais, logo após suas nascentes, no Parque Ecológico, enquanto órgãos ambientais apenas ‘‘autuam’’ os responsáveis pelos despejos.

mockup