Edson MazzettoEspírito gaúchoOs CTGs são mais de 400 no Paraná e, no País, existem até mesmo no Nordeste e na AmazôniaGaúchos de nascimento e de ‘‘espírito’’ comemoram hoje seu dia e completam celebrações do evento mais importante do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), a Semana Farroupilha. Eles lembram feitos e desdobramentos da Guerra dos Farrapos, que eclodiu há 161 anos no Rio Grande do Sul e durou dez anos.
No Oeste e Sudoeste do Paraná, com grande parte da população formada por famílias oriundas do extremo-sul do País, as celebrações têm força semelhante ao que ocorre no próprio Rio Grande do Sul. Praticamente todas as cidades têm pelo menos um Centro de Tradições Gaúchas (CTG). No Paraná, são mais de 400 e, no País, existem até mesmo no Nordeste e na Amazônia.
As comemorações da Semana Farroupilha em Cascavel e outras cidades da região são marcadas por cavalgadas, missa crioula com celebração religiosa, seguindo ritual e linguajar próprios, encontro (tertúlia) para prosa em volta do fogo de chão, churrasco, chimarrão e bailes (fandangos).
Cosme Buzzachera, 46 anos, contabilista em Guaraniaçu, é um dos mais conhecidos tradicionalistas da região e ex-presidente (patrão) da 10ª Região do MTG, que compreende 23 municípios. Ele afirma que as comemorações são ‘‘nosso momento de maior entusiasmo, porque envolvem feitos heróicos que servem como exemplo permanente’’.
O Paraná reúne o maior número de CTGs em todo o País, depois do Rio Grande do Sul. ‘‘Mas eles estão onde quer que se vá, do Chuí ao Oiapoque’’ - afirma Cosme.
O MTG zela para que suas finalidades não sejam desvirtuadas e suas instalações não sejam utilizadas para ‘‘bailões’’ e outras festas que não tenham o sentido da valorização da cultura. Alguns CTGs já tiveram registro suspenso pelo MTG, por causa destes bailes.
A Revolução Farroupilha (ou Guerra dos Farrapos), maior rebelião ocorrida no Brasil no período da Regência, começou em 1835. O termo ‘‘farrapos’’ identificava camadas humildes da população e liberais insurgidos contra o governo central. A origem do Dia do Gaúcho está no 21 de setembro de 1835, quando o coronel Bento Gonçalves destituiu o presidente da Província do Rio Grande do Sul.
A data é reverenciada em vários países do continente, onde tornou-se lendária a figura do gaúcho, habitante original das regiões do Pampa (entre Brasil, Argentina e Uruguai), descendente geralmente de indígenas, portugueses e espanhóis. Eles eram hábeis cavaleiros, errantes e sempre empenhados em ações ousadas.

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