Casas típicas foram destruidas com o tempo
Warren NabucoEduardo Schimanski, 83 anos, é o mais antigo morador do distritoA era dos franceses no distrito ainda pode ser resgatada pela memória de Eduardo Schimanski, 83 anos, o mais antigo morador de Thereza Cristina. Nascido na comunidade, declara ter presenciado a destruição das casas dos franceses, erguidas próximas das margens do Rio Ivaizinho. Eram casas compridas, bonitas, que contrastavam com as taperas. Um prefeito de Reserva - não cita o nome, nem a data -, quando o distrito ainda pertencia ao município, mandou derrubar todas as casas para construir outras, conta.
Da época dos franceses, afirma ter guardado por muitos anos peças e moedas, mas foi se desfazendo delas por não acreditar que poderia ter valor no futuro. Bastante falador, ele conta que fez muitas viagens a pé até Ponta Grossa para vender porcos. Tivemos aqui uma bica construída pelos franceses, mas foi destruída com as constantes levas de porcos.
O farmacêutico-bioquímico Langue Golba, 61 anos, pai do atual prefeito, também guarda na memória fatos importantes do distrito pós-era dos franceses. Em sua farmácia, em Cândido de Abreu, mostra com orgulho a foto de uma casa onde viveu e que foi demolida depois de 140 anos.
Ele tem orgulho da sua profissão, lembrando de outro farmacêutico do distrito, Jorge Pogorzelski, que veio da Polônia por volta de 1938. Ele era um verdadeiro médico. Era o único socorro numa área de 200 quilômetros quadrados, destaca.
Ele comenta que Thereza Cristina teve importância nos anos 40 e 50 na colonização de toda a região. Ali era um entreposto comercial importante. Muitas pessoas faziam compras lá. Até hospital o distrito teve, lembra com orgulho.
Nas suas memórias, destaca ainda a chegada da primeira jardineira, no final dos anos 30, que ligava Cândido de Abreu a Ponta Grossa, com linha diária, e o transporte, anos mais tarde, feito por uma Toyota. Ela tinha capacidade para oito passageiros, mas nas viagens levava muitas pessoas em cima do capô.
O produtor rural Jorge Abdala Derbli, 68 anos, nascido na comunidade, já morou em outros municípios, mas garante que o melhor lugar ainda é o distrito. Já tivemos estrutura de grandes centros. Mas com a criação de Cândido de Abreu (o município foi emancipado em 1954) tudo foi levado para a sede, acabando com a nossa comunidade. Aqui morreu por culpa dos políticos, desabafa.





