Curitiba - "Uma tragédia como essa não acontece todos os dias, não é corriqueira. As pessoas precisam entender que isso foi uma fatalidade." A afirmação é do empresário Fábio Aguayo, presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas no Paraná. Ele adiantou para a FOLHA que hoje irá se reunir com a Assembleia Legislativa (AL) do Paraná e o governo do Estado para pedir uma padronização das normas em todos os municípios. "No Brasil, além de faltar contingente para fiscalizar, não existe uma normatização nacional das regras. Cada cidade faz de um jeito", reclama Aguayo, defendendo a intensificação do controle, desde que os fiscais "não humilhem os empresários".
O dirigente da Abrabar questiona se existe no País quem esteja preparado para uma tragédia das proporções de Santa Maria. "Se acontecesse algo parecido numa igreja, num teatro ou em um estádio de futebol, eles estariam prontos? Não podemos admitir que só um segmento seja acionado. Falta capacitação e investimento do poder público, ninguém está preparado para lidar com grandes tumultos", afirma Aguayo.
Sobre o ocorrido na boate gaúcha, ele disse que "a ganância" pode ter piorado a situação. "Nesse ambiente, qualquer faísca de ar-condicionado ou curto-circuito causa pânico. É preciso ter a sensibilidade de abrir as portas da casa noturna para não fomentar uma tragédia", comenta. "A maioria dos bares e casas noturas segue as normas de segurança. O último desastre dessas proporções aconteceu em 1961, no Rio de Janeiro", lembra Aguayo, referindo-se ao incêndio no Gran Circus, quando mais de 500 pessoas morreram em Niterói, incluindo os artistas que trabalhavam no local. (J.L.Jr.)

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