Casas de conjunto ameaçam desabar
Marcos Zanatta
De Maringá
Moradores do Mutirão, um dos bairros mais pobres de Sarandi (7 km a leste de Maringá), correm risco de vida depois que a prefeitura começou a desmanchar algumas casas do bairro. Construídas há cerca de 10 anos, as casas têm apenas paredes separando umas das outras (espécie de barracão). Nos últimos anos, a prefeitura vem desmanchando as casas das famílias que deixam o local. Apenas as paredes são derrubadas para evitar a reocupação, já que o projeto é tirar todos os moradores da área. O problema é que sem as casas vizinhas, as que ficam em pé estão com as estruturas comprometidas.
Quase todas, das mais de 60 que ainda restam, apresentam rachaduras que assustam os moradores. Não dá mais para morar aqui. A gente fica com medo quando chove muito, diz a desempregada Maria Marta da Silva. Ela conta que as rachaduras começaram a aparecer nos últimos meses depois que a casa ao lado foi demolida. Antes, não tinha problema nenhum. Agora chove dentro a tenho medo de ficar aqui, afirma.
A moradora mais revoltada é a dona de casa Eli Ribeiro, que mora no mutirão desde que as casas foram entregues. Ela reclama que a prefeitura construiu o Conjunto Romanelli, que seria para os moradores do Mutirão. Mas o pessoal de fora invadiu e agora a gente ficou abandonada aqui, diz.
Ela mostra a casa ao lado, que foi desmanchada, comprometendo a estrutura do imóvel que mora. A casa de Eli tem rachaduras em todas as paredes e o teto ameaça desabar. O que piorou ainda mais é que os vizinhos estão jogando lixo onde era minha vizinha, critica. Ela garante que já procurou a prefeitura, mas não teve nenhuma resposta.
A cozinheira Maria Aparecida Ornela, também moradora desde a construção do bairro, garante que todo mundo na prefeitura diz que não pode fazer nada. De vez em quando vem um pessoal aqui, olha, diz que não tem perigo de cair, e vai embora, garante. Ela confirma que as rachaduras aconteceram nos últimos anos, depois que algumas casas foram retiradas.
A prefeitura queria tirar todo mundo de uma vez e desmanchar tudo aqui, mas não conseguiu e agora tira aos poucos o que é ruim para quem fica. Maria Aparecida conta que a intenção do prefeito Julio Bifon (PSDB) é construir outras casas para as famílias que ainda estão no Mutirão.
O conjunto foi invadido há cerca de três anos e a prefeitura não conseguiu mais retirar as famílias. A alternativa foi esvaziar o mutirão conforme a disponibilidade de terrenos. A família ganha um terreno e ajuda para construir. Quando sai do mutirão, a casa é desmanchada para evitar a entrada de novos moradores. O local onde está o Mutirão deve ser ocupado por um parque esportivo.
A assessoria do prefeito Julio Bifon informou à Folha que a invasão do Conjunto Romaneli inviabilizou o projeto de demolir o Mutirão. Como o agente financeiro já liberou recursos para o projeto de desfavelamento da área, não há como dar mais dinheiro. Por isso, a prefeitura está disponibilizando terrenos para que as famílias construam suas casas e deixem o local. A preferência é separar as famílias, evitando a formação de novas favelas.Aos poucos, as moradias vão sendo derrubadas para não atrair novas famílias; prefeitura quer desocupar a área
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