Londrina - Começaram ontem as demolições de 44 casas no Jardim Califórnia (zona leste) que foram indenizadas para o aumento de 600 metros da pista do Aeroporto José Richa. Esta é a conclusão da primeira das três etapas de desapropriações que estão previstas e custou R$ 9 milhões aos cofres do governo do Estado.
Será preciso indenizar ainda mais sete imóveis na face sul, também no Califórnia, e 81 lotes da face norte, no Jardim Albatroz, que fazem parte da terceira etapa de desapropriações. A previsão da Infraero para a conclusão do aumento da pista é para o fim de 2015.
Os imóveis que estão sendo derrubados se localizam na quadra que compreende as Avenidas Salgado Filho e Mahatma Ghandi e as Ruas Jayme Americano e Tertuliano. A maioria das casas já foi desocupada, com exceção de duas delas, em que as famílias devem se mudar nos próximos 15 dias. O início dos trabalhos, porém, não foi prejudicado.
A dona de casa Élia Alves Bomba, 64 anos, morou na Rua Jayme Americano durante 40 anos, e apesar de precisar deixar o local onde construiu a vida, está satisfeita com a nova moradia. A dona de casa presenciou ontem à tarde a derrubada da sua casa pelas máquinas.
''Pensei que ia me abalar mais, mas consegui comprar uma nova casa no mesmo bairro, onde eu queria. É uma casa menor que a anterior, mas estou satisfeita'', relatou a moradora. ''Quando eu mudei aqui só tinham três casas e era tudo barro. Foi o esforço de uma vida inteira, mas é assim mesmo. A vida segue.''
Para quem não precisou sair de casa, as demolições chegaram em boa hora. A maioria dos moradores deixou as residências há cerca de dois meses. ''Algumas casas já estavam virando mocós. As pessoas jogavam todo tipo de entulho e lixo. A retirada das casas vai melhorar esta situação. Aqui sempre foi um bairro tranquilo e estava ficando perigoso'', ressaltou a dona de casa Ruti Plínio Ambrósio, 45 anos.
O comerciante Mário Trannin, 57 anos, reside do lado de baixo da Rua Jayme Americano, local onde as casas não vão precisar ser demolidas. Morador do bairro há 35 anos, ele só reclama de ver os vizinhos e amigos irem embora, mas reconhece que estas mudanças fazem parte do progresso.
''Todo mundo quer o progresso, mas não quer os problemas que ele traz. Aqui vai aumentar o barulho e o trânsito de veículos. Vai acabar o nosso sossego, mas temos que aceitar'', frisou Trannin.
Os moradores que ainda não receberam as propostas de indenização, mas que já sabem que as casas serão demolidas, estão se acostumando com a ideia. ''Já me acostumei com esta situação. Estou procurando outras opções de moradia porque sei que logo terei que mudar'', explicou Roseli Aparecida Nicolino, 46 anos.
A dona de casa mora há 18 anos na Rua Jayme Americano. Seu imóvel está inserido na segunda etapa de desapropriações. A expectativa é que até em 20 dias os proprietários recebam os valores estipulados pela prefeitura para as indenizações.
Os trabalhos de demolição estão sendo comandados pela Secretaria Municipal de Obras e Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), enquanto os servidores da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) se encarregarão da retirada das árvores. A derrubada dos imóveis e a limpeza dos terrenos devem demorar pelo menos 20 dias.

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