Casamentos que mascaram prostituição
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Maggie Michael, da AP 
CAIRO (AE-AP) - Duas semanas após o primeiro encontro, a adolescente egípcia de 17 anos e o rico homem de negócios saudita estavam casados. Um mês depois, o marido voltou para a Arábia Saudita, deixando sua esposa abandonada e grávida. Mais um casamento que mascara um pouco mais do que a venda de uma menina a um turista havia começado e terminado.
Neste negócio, dizem os ativistas, meninas são objetos de diversão para os ricos, advogados que agem como intermediários e famílias que colecionam "dotes", para escapar da pobreza. O Ministério da Justiça e o Centro Nacional de Pesquisa publicou recentemente um estudo que dizia que de cada 200 casamentos entre mulheres egípcias e estrangeiros, apenas uma união tem duração superior a alguns meses.
Os contratos de casamento são geralmente estabelecidos entre famílias pobres e ricos árabes do países do Golfo Pérsico, que viajam para o Egito em férias. Muitos dos visitantes querem companhia temporária e não se importam em oferecer dotes de até 30 mil libras egípcias (US$ 9 mil). De acordo com os dados do Ministério da Justiça, cerca de 500 dos 1500 casamentos entre egípcias e estrangeiros em 1998, envolveram sauditas
No caso da menina de 17 anos e do negociantes saudita de 33, um dos vários investigados por Ihab Nagy, do Centro Nacional para os Direitos da Mulheres Egípcias, as intenções do noivo eram claras. Ele alugou um apartamento no Egito por apenas três meses e pagou um dote de 8 mil libras egípcias (US$ 2.500). O casamento de mulheres egípcias menores de 18 anos é ilegal. Então, um advogado, que atua como intermediário, sugere que a adolescente e o homem de negócios performem o que é conhecido como um casamento "urfy", um costume não reconhecido pelo estado.
Para esta união, o casal assina um documento no escritório de um advogado e o casamento pode ser cancelado simplesmente com a destruição do documento. "Este tipo de casamento não garante qualquer tipo proteção financeira no caso de divórcio. As mulheres perdem tudo por nada", diz Nagy.
O Ministério da Justiça enviou recentemente uma proposta ao parlamento pela qual um homem mais de 25 anos mais velho que sua noiva egípcia seria obrigado a fornecer um certificado de depósito no valor de 25 mil libras egípcias (US$ 7,4 mil) em nome da noiva. Tal "garantia financeira não significará nada", afirma Said Hassaballah, que diz que um homem disposto a pagar alguns milhares de dólares de dote não pensaria duas vezes em arcar com o custo adicional. Ativistas dizem que ao invés de propor novas regras, o governo deveria fazer valer as leis que estão em vigor, como a de 1976, que impede um estrangeiro de se casar com uma mulher egípcia se a diferença de idade foi superior a 25 anos. Além disso, o governo tem que aprovar uma promessa, que vem fazendo há dois anos, de conceder cidadania egípcia ás crianças cujos pais são estrangeiros. Estas crianças não são consideradas egípcias e não têm acesso à educação gratuita e cuidados médicos subsidiados disponíveis aos cidadãos.


