Casamentos gays crescem 51,7% no País desde 2013
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 

Os dados das Estatísticas do Registro Civil 2015, divulgados nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que os casamentos homoafetivos cresceram 51,7% desde 2013, quando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou aos cartórios de todo o País celebrar união entre pessoas do mesmo sexo. Considerando apenas o período entre 2014 e 2015, o crescimentos dos casamentos gays (15,7%) é cinco vezes maior que os tradicionais no País (2,7%). Com 297 uniões entre pessoas do mesmo sexo registrados em 2015, o Paraná aparece na sexta posição do ranking nacional.
Em 2015, o Brasil teve um total de 1.137.321 casamentos civis. Desses, 0,49%, ou 5.614, foram entre pessoas do mesmo sexo - 2.986 entre mulheres e 2.628 entre homens. Mais populoso, São Paulo registrou 2.008 destas uniões, seguido por Rio de Janeiro (612), Ceará (469), Minas Gerais (378) e Santa Catarina (349). A maioria dos 297 casamentos gays paranaenses ocorreu nas regiões metropolitanas de Curitiba (119), Londrina (41) e Maringá (34). No Estado, as uniões homoafetivas representam 0,45% do total, mesmo patamar do índice nacional.
A Região Sudeste foi a campeã em uniões homossexuais no ano passado, com 3.077 registros; o menor número foi verificado no Norte, com 230. A pesquisa do IBGE é realizada desde 1974. Em sua versão atual, traz dados sobre nascimentos, casamentos, óbitos e divórcios coletados em cartórios de registro civil de pessoas naturais, varas de família, foros ou varas cíveis e tabelionatos de notas. "A decisão do CNJ é algo muito recente, ainda vai repercutir por alguns anos nas nossas pesquisas", declarou a demógrafa do IBGE Leila Ervatti. Em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia reconhecido a união estável homoafetiva, assegurando a todos casais os mesmos direitos.
O diretor de Notas da Associação dos Notários e Registradores do Estado do Paraná (Anoreg-PR), Cid Rocha, também cita o pouco tempo de vigência da decisão do CNJ e acredita que o fenômeno tenha relação com a demanda represada. "A estatística é irrefutável, mas não revela a verdadeira situação sociológica. A tendência é que esses números se estabilizem no futuro", avaliou. Rocha destaca a conquista do direito e aponta o Paraná como evoluído culturalmente. "Somos um dos Estados pioneiros a realizar a união homoafetiva. É um bom parâmetro para analisarmos o nível cultural da população", argumentou.
Em agosto deste ano, o professor Mário Alves de Oliveira, de 50 anos, casou-se, em Londrina, com o também professor Sílvio Castro dos Anjos, de 48. Eles já mantinham relacionamento há 12 anos e decidiram oficializar a união. "O casamento homoafetivo consolidou uma série de conquistas que obtivemos na última década. Foi um grande avanço no ponto de vista dos direitos", avaliou. O casal adotou três filhos, uma menina e dois meninos. Ele acredita que a oficialização das uniões contribuem para amenizar o preconceito ainda existente.

DIVÓRCIOS
O número de divórcios concedidos em primeira instância caiu de 341.181 em 2014 para 328.960 em 2015. A opção pela guarda compartilhada, no caso de casais com filhos menores de idade - que desde 2014 virou regra -, cresceu de 7,5% para 12,9%. Neste modelo, o tempo de pai e mãe com os filhos é dividido de forma equilibrada.(Com Agência Estado)


