Casamento real promete não ser nenhum conto de fadas
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quarta-feira, 16 de junho de 1999
por Audrey Woods, da Associated Press (assinatura obrigatória) 
Londres (AE-AP) - O príncipe Edward logo iniciará o duro caminho do matrimônio real com Sophie Rhys-Jones, sem dúvida com a mesma expectativa e esperança que tinham seus irmãos e irmã.
Edward, o último filho da rainha Elizabeth II a casar-se, pode ter uma melhor chance de sucesso quando ele e sua noiva caminharem em direção ao altar da capela St. George, neste sábado (19/06).
Tendo observado, na primeira fila, os dramáticos fracassos matrimoniais dos príncipes Charles, Anne e Andrew, o irmão mais novo está precavido com relação a alguns dos problemas.
Certamente, desta vez, não se trata de nenhuma negociação ou conto de fadas.
"Um divórcio, quando este infelizmente ocorrer, seria apenas o reconhecimento melancólico de uma tendência", comentou o colunista do jornal The Guardian, Mark Lawson. "Iremos a esse casamento com nossos olhos vitrificados". O que certamente parece verdade.
Nas semanas anteriores ao casamento, o país não mostrou sinais de investimento no sonho romântico do casal, como fez com Charles e Lady Diana Spencer. Nem brindou a chegada da modernidade, vendo a noiva de classe média como uma "lufada de ar fresco" no molde de Sarah Ferguson.
Pelo menos o bispo de Norwich, Peter Nott, está mostrando-se seguro e confiante com relação as duas pessoas que irá casar no tradicional serviço da Igreja da Inglaterra.
"Uma das coisas mais maravilhosas é que ambos demonstram estar muito comprometidos com este grande passo", disse Norr, que tem mantido longas conversas com o casal.
"Eles são pessoas adoráveis, com um grande senso de zelo, amabilidade, humanidade e humor", completou o bispo. Um fato destacável é que Edward e Sophie não correram em direção ao casamento.
O príncipe Edward, um produtor de televisão, tem 35 anos e é o sétimo na linha de sucessão ao trono britânico. Ele mantém um relacionamento com sua noiva desde o outono de 1993, quando teve o primeiro contato com Sophie através de seu serviço de relações públicas.
A escolhida pelo príncipe é muito diferente da princesa Diana
que era uma aristocrata de 19 anos professora do jardim da infância quando foi capturada pelo vórtice do mundo da realeza. Sophie Rhys-Jones é uma mulher de negócios, de 34 anos, que tem sua própria empresa de relações públicas e pretende continuar trabalhando.
"Se ninguém puder lidar com isso, então ela pode", disse seu sócio, Murray Harkin, quando o noivado foi anunciado em janeiro. "Ela é muito discreta, leal e extremamente dotada de bom sendo".
Por quase seis anos, Sophie tem visitado a família real nos finais de semanas e feriados. Ela é descrita como uma mulher independente e desinibida, despreocupada em ser um membro da família real.
Por tudo isso, Sophie tem um bom relacionamento com a rainha, o príncipe Philip e a rainha-mãe.
A rainha-mãe, de 98 anos, emprestou sua casa em Windsor para a família de Sophie instalar-se durante o casamento. Portanto, eles não ficarão hospedados em um hotel - um fato mais notável do que aparenta ser.
Como os casamentos dos outros filhos da rainha falharam, uma das críticas à família real era o claro distanciamento com relação aos parentes dos noivos.
Contudo, desta vez, a rainha parece estar determinada em fazer as coisas certas. No mês passado, ela deu um apoio imediato e irrestrito à sua futura nora quando o tablóide The Sun publicou um velho instantâneo de Sophie com um de seus seios expostos.
Enquanto milhões de leitores liam atentamente o jornal matutino, o palácio reagiu com ferocidade, classificando o episódio de "crueldade premeditada".
No entanto, a imprensa londrina não levou muito tempo para ocupar-se com outros assuntos sobre a noiva real.
No início deste mês, por exemplo, o jornal The Mail publicou um artigo em sua edição dominical com o título "Pode a princesa baixa e gorda entrar em forma para o dia do seu casamento?". A matéria cita "amigos" anônimos que debatem sobre as "pernas grossas e a clássica silhueta inglesa de pêra" da noiva.
Ao contrário dos casamentos reais anteriores, os planos para o grande dia de Edward e Sophie revelam um evento em menor escala. Esta cerimônia será um festa para a família e amigos na capela gótica do Castelo de Windsor, sem desfiles militares.
Alguns dos 600 convidados serão famílias reais da Europa, mas eles não comparecerão como visitantes de estado. Cerca de 600 pessoas, a maioria moradores da região, receberam bilhetes para assistir nos locais mais próximos a chegada das personalidades reais antes da grande entrada da noiva às 17h (hora local).
Após o serviço religioso, de 45 minutos, o casal seguirá em carruagem aberta para a cidade antes de retornar ao castelo para a recepção.
Os planos da lua-de-mel não foram anunciados, mas sabe-se que o casal irá morar em Bagshot Park, uma antiga residência real a sudoeste de Londres.
Tudo isso pode não formar um conto de fadas, mas é mais uma tentativa de final feliz para a Casa de Windsor.


