Casal prefere guardar dinheiro e esperar que taxas caiam
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de outubro de 1999
por Vera Dantas 
São Paulo, 16 (AE) - Poupar e fugir do crediário para evitar os juros é uma idéia em comum do casal Sérgio Alayon e Ivaneide Lima de Sá. O noticiário sobre a continuidade de queda das taxas não chega a animar o casal para fazer um planejamento de compra parcelada.
"Precisamos de alguns eletroeletrônicos, mas vamos esperar porque mesmo com estes cortes as taxas ainda são absurdamente altas", diz Sérgio. "Prefiro comprar à vista ou em poucas vezes sem juros." Mesmo sem querer se arriscar, ele já passa por uma dor de cabeça grande por causa do atraso de uma dívida de crediário. Sua mulher financiou uma compra para um parente que pagou metade das prestações, viajou e não deu mais notícias.
A dívida de R$ 1.500,00 - para a compra de um televisor e outros aparelhos de utilidade doméstica - foi contraída no Mappin, há quatro anos. "Temos agora R$ 750,00 para pagar, fora os juros", diz Ivaneide, que já esteve no Serviço Central de Proteção ao Crédito para ver como procederia com a falência do Mappin.
O casal não tem filhos e possui uma empresa de prestação de serviços de despachante, com a qual obtêm rendimentos em torno de R$ 1.500,00. Eles acreditam que no momento a melhor opção para o dinheiro extra de fim de ano é a aplicação na poupança.
O vendedor de móveis Joel Gomes Ferreira começou a trabalhar há 15 dias e pretende usar seu 13º salário para comprar presentes para a filha de 12 anos e comemorar o Natal. Ele e a mulher, que é manicure, têm rendimento mensal em torno de R$ 1.500,00.
Eles se animam com a possibilidade futura de comprar um terreno, uma televisão nova e um carro, se os juros baixarem muito.
Mas, por enquanto, Joel diz que prefere manter os pés no chão e acertar uma dívida pendente de R$ 1 mil de cinco anos atrás, quando trabalhava por conta própria vendendo frios. "Emprestei para estocar mercadoria e me dei mal", diz. "Agora quero acertar a vida."


