O embaixador do Brasil no Japão, Fernando Guimarães Reis, afirmou que a visita do casal imperial japonês ao Brasil, encerrada ontem no Rio, ajudará a romper as barreiras que impedem a adaptação dos dekasseguis, brasileiros descendentes de japoneses que emigraram para o Japão. O imperador Akihito e a imperatriz Michiko embarcaram na manhã de ontem rumo a Buenos Aires. Reis, que acompanhou o casal durante os dez dias da visita ao Brasil, representou Fernando Henrique Cardoso no embarque de Akihito e Michiko no aeroporto da Base Aérea do Galeão.
Segundo o embaixador, atualmente cerca de 200 mil brasileiros moram no Japão, sendo que 170 mil são descendentes de japoneses. Uma queixa comum dos dekasseguis é a dificuldade que enfrentam para se integrar à sociedade japonesa. ‘‘Esta visita mostrou como o Brasil acolheu com generosidade, de braços abertos os imigrantes japoneses’’, afirmou Reis. De acordo com o embaixador, a expectativa é de que os brasileiros obtenham, no Japão, o mesmo nível de integração.
De acordo com dados fornecidos pela comitiva imperial, os dekasseguis são responsáveis por uma remessa de aproximadamente US$ 2 bilhões anuais para o Brasil. ‘‘Trata-se de uma quantia equivalente ao total da exportação brasileira de caf钒, comparou Akitane Kiuchi, porta-voz de Akihito.
Em seu último dia no Brasil, o casal imperial japonês visitou o Centro Municipal de Atendimento Social Integrado (Cemasi) Ayrton Senna, na Mangueira, zona norte, que assiste 350 menores carentes entre crianças e adolescentes. Lá, eles visitaram as oficinas profissionalizantes, de artesanato e o berçário. Na oficina de padaria Akihito fez questão de experimentar um pão feito pelos alunos. Ao final, eles assistiram a uma demonstração de capoeira.
O porta-voz afirmou que o único motivo de tristeza do imperador Akihito durante a visita ao País foi a constatação da quase inexistência de isseis (japoneses que imigraram para o Brasil) ligados à chamada primeira imigração, ocorrida em 1908. Dos cerca de 700 japoneses que desembarcaram no porto de Santos naquele ano, a única que ainda está viva é Tomi Nakagawa, de 91 anos, que mora em Londrina (PR).
Segundo ele, o casal imperial ficou ‘‘extremamente comovido com a receptividade calorosa do povo e do presidente do Brasil’’. Kiuchi afirmou que a única reclamação que o imperador Akihito ouviu durante a estada no Brasil foi de uma família de nisseis (filhos de japoneses, nascidos no Brasil) agricultores de Curitiba. ‘‘Eles disseram que a agricultura é uma atividade ingrata, devido às altas e baixas dos preços, e reclamaram também do custo da mão-de-obra’’, afirmou o porta-voz. No entanto, Kiuchi procurou minimizar o episódio, lembrando que ‘‘esse é um problema que não se restringe ao Brasil’’.
Além de encantar os brasileiros convidados para coquetéis e jantares oferecidos ao casal imperial, Akihito e Michiko fizeram a alegria dos funcionários encarrecados da limpeza de seus apartamentos no Hotel Ceasar Park, em Ipanema, na zona sul, onde ficaram hospedados. Com exceção de restos de seu café da manhã, nenhum lixo foi encontrado nos apartamentos. Segundo a assessoria de imprensa do hotel, esta é uma característica comum aos hóspedes japoneses.

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