Casal faz dossiê sobre empresas que usam Internet para exploração infantil
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quarta-feira, 09 de fevereiro de 2000
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 09 (AE) - Os responsáveis pelo site particular contra pedofilia www.censura.com.br entregam nos próximos dias um dossiê ao Ministério Público Federal Federal com informações de 13 empresas brasileiras que usam a rede mundial de computadores para exploração sexual infantil. A página do movimento Censura tem recebido em média 30 denúncias diárias.
O casal Anderson e Roseane Miranda, de São José dos Campos, pretende ampliar a campanha e conseguir uma maior fiscalização de usuários e autoridades. " As denúncias vêm de toda parte do Brasil, mas também sofremos ameaças", conta Roseane. A campanha do site www.censura.com.br teve início há dois anos e até hoje 17 mil internautas visitaram a página. Neste período foram recebidas mais de duas mil denúncias de pornografia infantil na rede. As informações são triadas, conferidas e repassadas mensalmente à Polícia Federal.
Roseane Miranda é advogada e tem procurado auxílio de órgãos públicos para atuar no combate à pedofilia na rede. " Eu nunca tive qualquer retorno apesar de insistir no apoio para nossa campanha", afirmou a advogada. Anderson Miranda, técnico em informática, tem investigado os sites denunciados e identificar autor, origem do material, endereços e outros dados importantes para uma ação punitiva por parte da justiça.
Num primeiro momento, o casal envia uma mensagem mostrando as consequências legais deste tipo de crime e tenta convencer o responsável pela página a retirá-lo da rede. A cada seis abordagens, uma tem resultado positivo. " Nos últimos três meses conseguimos retirar 50 sites de pornografia infantil do ar", afirma Miranda.
O casal tem dedicado cerca de quatro horas diárias ao trabalho e pretende estabelecer parcerias com a iniciativa privada e órgão governamentais para ampliar o processo. Para estimular ações efetivas por parte das empresas que usam a internet para negócios, o Censura criou o selo Site Amigo da Criança, destinado às companhias que colaboram na defesa dos direitos da criança. Até o momento, 300 empresas já se interessaram em agregar o símbolo da campanha a suas páginas na internet.
O Censura pede mais rigor do governo federal com os provedores, que aceitam todo tipo de imagens e salas de conversação, inclusive sobre pedofila. Para os responsáveis pela campanha, os grandes provedores ignoram propositalmente esse tipo de ação criminosa para manter uma maior diversidade temática à disposição do cliente. " Não acreditamos que iremos acabar com a pedofilia na Internet, mas alguém tem que responsabilizar os provedores pela disseminação da exploração sexual infantil na rede", argumenta Miranda.


