São Paulo - O casal Marcelo dos Reis Júnior, de 30 anos, e Luciene Paula Felício, de 32, foi indiciado no 21º Distrito Policial (DP) - Vila Matilde, zona leste de São Paulo - por submeter Marlene Aparecida Santos de Oliveira, de 18, a trabalho escravo e por lesão corporal dolosa.
Nos três anos em que era empregada na residência da Rua Rodeio, 726, na Vila Aricanduva, Marlene nunca recebeu salário e, às vezes, era espancada, como ocorreu no início da madrugada de hoje.
Os gritos dela, pedindo socorro, pouco depois de meia-noite, atraíram a atenção de vizinhos, que chamaram a polícia. Marlene apresentava um hematoma na orelha e uma mordida nas costas. Segundo a empregada, Reis Júnior agrediu-a com um soco e Luciene mordeu-a.
Mineira de Ituitaba, Luciene é inspetora de alunos e estudante de Administração Hospitalar numa faculdade particular. Há três anos, grávida de 4 meses, trouxe Marlene da terra natal para cuidar do bebê que nasceria.
A inspetora de alunos prometeu que pagaria um pequeno salário e a ajudaria a estudar. Só cumpriu a segunda promessa. A empregada, hoje, cursa o segundo ano do segundo grau.
Marlene conta que, todas as vezes em que era agredida com pancadas pelo casal, era ameaçada: ''Se denunciar à polícia, vamos dizer que você espancou nosso filho.''
Foi o que ocorreu na madrugada de ontem, mas os policiais constataram que não havia nenhum sinal de agressão na criança. Ao contrário, o menino é apegado à empregada, a quem até chama de ''mamãe''.
O recente espancamento aconteceu porque Marlene dormia e a criança começou a chorar. Foi o suficiente para Reis Júnior e Luciene agredirem-na, tampando-lhe a boca com uma toalha para que a voz não fossem ouvida.
Segundo o delegado do 21.º DP, o casal cometeu delito de ''redução à condição análoga a trabalho escravo'', além das lesões corporais. Indiciados, eles foram dispensados para defenderem-se em liberdade.

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