Londrina - A dentista Gracy Kelly Oliveira Elreda, 31 anos, e o publicitário Luís Guilherme Elreda, 34, vivem um dilema. Ela sofre de uma doença rara e está grávida de 13 semanas. Porém, como a gravidez é de alto risco (ela pode ser vítima de morte súbita), a equipe médica do Hospital Universitário (HU) de Londrina recomendou o aborto. O casal resolveu procurar outras opiniões para só então tomar uma decisão. Eles viajam esta semana a São Paulo, onde Gracy deve se consultar com especialistas.
  Gracy sofre de Síndrome de Eisenmerger, uma cardiopatia congênita muito grave que leva à hipertensão pulmonar e pode causar uma morte súbita. ‘‘A gestação implica num trabalho cardíaco muito grande e numa importante alteração da caixa torácica. Além disso, estes pacientes têm problemas de coagulação e podem desenvolver embolias pulmonares’’, explicou o professor do Departamento de Cardiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Laércio Uemura, que compõe a equipe do Hospital Universitário que acompanha o caso.
  Uemura disse que não falaria sobre o caso concreto mas apontou que o risco de mortalidade materna gira em torno de 50% e aumenta com o passar da gestação, comprometendo até o pós-parto. ‘‘A diretriz brasileira de cardiopatia e gestação orienta a interrupção da gravidez’’, destacou. Por isso, a decisão para interromper a gravidez não pode demorar.
  ‘‘Sou a favor de que a Gracy faça o aborto desde que tenha absoluta certeza de sua decisão. Já deixei bem claro que o que ela decidir eu apóio’’, declarou Luis Guilherme, garantindo que a sua prioridade é o bem-estar da esposa. Segundo o publicitário, há vários casos em que as mulheres optaram por levar a gravidez adiante e tiveram sucesso, o que motivou o casal a ir procurar outros pareceres médicos.
  Os pais de Gracy são a favor do aborto. A mãe da gestante, Heloísa de Oliveira, adiantou que pretende conversar mais uma vez com o promotor de Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, para ver quais as medidas que a família pode tomar para garantir a saúde da filha.
  O promotor adiantou, porém, que não é papel do Ministério Público (MP) intervir nesse caso. Tavares lembrou ainda que, se ela estivesse internada e os médicos se recusassem a fazer o procedimento, dependendo do que ocorresse, poderiam até ser responsabilizados criminalmente pela omissão. Mas não foi o caso. Segundo a própria Gracy, ela desistiu de uma primeira cirurgia porque ainda tinha muitas dúvidas e gostaria de ouvir uma segunda opinião. ‘‘No fundo, tenho vontade de manter a gravidez, sempre quis ser mãe. Além disso, os médicos disseram que a gestação está além das expectativas’’, revelou a dentista, complementando que viaja a São Paulo em busca de esperança.

(Colaborou Luciano Augusto)

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