Bela Vista do Paraíso - Um casal do interior de São Paulo foi preso ontem em Bela Vista do Paraíso (Região Metropolitana de Londrina) ao tentar negociar a adoção ilegal de um menino, que havia nascido na noite anterior. A mãe da criança, que se arrependeu de fazer o negócio, foi ouvida pela polícia e liberada em seguida.
A mãe biológica, moradora de Ibiporã, se internou na Maternidade São Jorge utilizando o nome da "futura mãe" para que o casal não tivesse dificuldade em sair com a criança do hospital. O marido e a mulher vieram de Pirapozinho (SP) para concretizar a adoção. O casal foi detido no momento que ia para a maternidade para buscar a criança.
"Quando estava grávida, a mãe comentou com amigos que pensava em colocar para adoção o menino, pois já tinha outros dois filhos e não teria condições de criar mais um. Essa informação chegou ao casal, que tem parentes em Bela Vista. Por isso a cidade foi escolhida para a realização do parto e também porque a mãe biológica não era conhecida por ninguém", explicou o delegado Maurício de Oliveira Camargo.
Segundo a polícia, o casal, que não tem filhos, está em uma lista de adoção de crianças no interior paulista. O delegado explicou que não houve promessa de pagamento pela adoção ilegal, mas o casal assistiu financeiramente a mãe durante a gravidez. "Chamamos esta situação de adoção brasileira, onde procura-se fazer a certidão de nascimento já no nome da mãe adotiva. Mas isso é crime. É preciso seguir os trâmites legais para a adoção", frisou o delegado.
A criança só não foi levada pelo casal porque a mãe desistiu de entregar o filho. "A mãe biológica simplesmente disse que no hospital se arrependeu do acordo e não queria mais dar para adoção a criança", ressaltou Camargo. "A mãe saiu de Ibiporã porque a família era contra o acordo. Mas percebemos que a família tem condições de criar o menino, por isso a mãe foi liberada para voltar para casa com ele." A mãe do menino não é casada. O casal paulista vai responder pelos crimes de parto suposto, que é dar parto alheio como próprio, e falsidade ideológica. A mãe da criança será indiciada como coautora.

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