Rio-O delegado Marcus Neves, titular da 38 Delegacia de Polícia, em Brás de Pina, na zona norte do Rio, indiciou ontem sob acusação de tortura a mãe de um menino de oito anos internado com lesões corporais, a auxiliar de cozinha Manoela dos Santos Silveira Moreira, de 25 anos, e o namorado dela, o autônomo Ricardo William Gouveia de Oliveira, de 39. A criança foi levada pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Getúlio Vargas, anteontem.
De acordo com o boletim de atendimento médico, o menino sofreu perda de consciência por alguns minutos e chegou com dor no braço esquerdo e marcas no tórax e na região lombar. Os bombeiros que o socorreram disseram que ele teria sido agredido pelo padrasto, mas a mãe assumiu a culpa, segundo relato da conselheira tutelar Marina Camargo Aguiar, que acompanhou a vítima.
Uma equipe da delegacia foi à favela ontem para buscar os dois. Até as 19 horas, o depoimento não tinha acabado - eles já haviam sido ouvidos pelo delegado de plantão na noite de ontem. Na ocasião, a mãe alegou que aplicara um ''castigo'' no filho por desobediência, ''com a intenção de educar''. ''Ele apanhou porque fazia muita arte'', disse ela, segundo o delegado.
O delegado pediu exame de corpo de delito e, dependendo do resultado do laudo pericial, qualificará o crime como tortura simples, grave ou gravíssima.
A pena prevista na lei para tortura simples é de 2 a 8 anos. Grave ou gravíssima, de 4 a 10 anos. ''Vou aguardar o exame para ver qual vai ser a qualificação, mas no mínimo será tortura simples.''

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