A Polícia Civil de Monte Azul Paulista (SP) cumpriu dois mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão em Londrina. O alvo é um casal suspeito de praticar golpes bancários no município localizado no Norte de São Paulo. A operação contou com apoio da Delegacia de Estelionatos de Londrina. A investigação apontou que um casal desviou cerca de R$ 108 mil de um idoso em janeiro deste ano.

Responsável pelo caso, o delegado da Polícia Civil de Monte Azul Paulista, Flávio Villela, explica que a polícia tem provas concretas de que o casal de Londrina, um homem e uma mulher, eram os executores do crime na cidade paulista. Segundo ele, os criminosos escolhiam vítimas que recebiam benefícios com valores mais elevados e acima dos 70 anos. “Eles exploravam a vulnerabilidade dos idosos”, afirma.

A partir daí, a mulher entrava em contato se passando por uma gerente da instituição bancária e afirmava que a conta apresentava algum problema. Ela marcava um suposto "atendimento" com a vítima em um horário em que a agência estava fechada e apresentava problemas falsos. No decorrer da investigação, a polícia teve acesso a inúmeras idas da dupla para a cidade.

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Acesso à conta das vítimas

Segundo o delegado, no caso de Monte Azul Paulista, a justificativa era que o cartão tinha sido clonado e a vítima precisaria realizar alguns procedimentos. Nesse momento, ela instalava o aplicativo do banco no próprio celular com os dados da vítima.

Com o acesso à conta, Villela explica que a mulher fez diversos pagamentos em nome de várias pessoas também residentes em Londrina. Os golpistas desviaram cerca de R$ 108 mil, segundo o delegado. Eles conseguiram estabelecer o vínculo dos golpistas com pelo menos outras duas pessoas, o que levou ao cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão.

O casal foi preso em uma casa de alto padrão no Jardim Coliseu, na zona norte de Londrina. Um carro de luxo também foi apreendido, já que, segundo a Polícia Civil, as provas mostram que os impostos e o financiamento do veículo foram pagos com o dinheiro do golpe. O carro estava em nome do proprietário de uma revenda de carros no centro de Londrina, onde a polícia também fez buscas.

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Filho desconfiou

Ainda segundo o delegado o desvio do dinheiro aconteceu em janeiro e em julho o casal retornou à cidade na tentativa de aplicar outro golpe. Entretanto, Villela explica que, nesse caso, o desvio não foi consumado porque o filho da pessoa abordada conseguiu chegar a tempo na agência. A mulher fugiu do local. Nos dois casos, a suspeita vestia roupas mais formais e utilizava apenas o cordão de um crachá, mas sem as informações pessoais.

A suspeita do delegado é de que o casal tenha feito vítimas em outras cidades da região, já que as informações obtidas mostram que a dupla foi diversas vezes para o interior paulista, como Sorocaba, Ribeirão Preto, Sertãozinho e Olímpia. “O “emprego” deles consistia em realizar os golpes”, afirma, detalhando que, além do imóvel e carro de alto padrão, um jet ski de luxo também foi encontrado na residência.

Após a conclusão do inquérito, Flávio Villela afirma que as informações vão ficar disponíveis para que outras delegacias da região possam também investigar a existência de mais vítimas.

O casal deve responder pelo menos duas vezes pelo crime de furto mediante fraude, mas o delegado não descarta a possibilidade de envolvimento em uma organização criminosa. Segundo ele, a perícia dos celulares vai ajudar no andamento das investigações.

Ele complementa que o banco ressarciu a vítima do prejuízo e, por isso, a intenção é devolver o veículo, obtido com dinheiro dos golpes, ao banco ou até mesmo à vítima, que teve a sua vulnerabilidade explorada.

Durante o depoimento, segundo o delegado, a mulher teria admitido o crime, mas disse que o companheiro não sabia dos golpes e que ele achava que ela ia até as agências para fazer apenas algumas transações. Na oitiva, ela também disse que comprou em um site uma lista por R$ 2,5 mi com informações de pessoas que recebiam benefícios. A partir daí, ela selecionava aqueles com valores mais altos para tentar aplicar os golpes.

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