Casal de Goioerê está em grupo que desapareceu ao tentar entrar nos EUA
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
Folhapress 
São Paulo - Um casal de Goioerê, no Centro-Oeste, está entre os 19 brasileiros desaparecidos há quase dois meses ao tentar entrar clandestinamente nos Estados Unidos. Segundo familiares, a última vez que Sérgio Castelhani Pereira, de 33 anos, e Rosineia Vaz Pereira, de 30, fizeram contato foi na manhã do dia 6 de novembro. Segundo o irmão de Sérgio, Robson Pereira, de 37 anos, ele recebeu uma mensagem pelo WhatsApp que avisava: "Estamos indo". O casal, que estava nas Bahamas, tinha tentado embarcar no dia anterior, mas a partida havia sido adiada.
Pereira, que é caminhoneiro, e Rosineia, que trabalhava em uma loja de produtos de informática, saíram de Goioerê em 27 de outubro, foram para São Paulo e depois a Belo Horizonte, onde teriam se encontrado com o "coiote". De lá, voaram para o Panamá. A viagem toda teria custado em torno de R$ 30 mil para os dois, incluindo as passagens aéreas e o dinheiro dado para o coiote para a travessia de barco das Bahamas para os EUA. Sérgio teria vendido um carro para cobrir parte da viagem.
Segundo Robson, o irmão dele já morou nos EUA por alguns anos. Ele juntou dinheiro por lá, mas, na volta, fez investimentos que não deram certo. Com dívidas, resolveu ir de novo. A família era dona de um supermercado tradicional na cidade e, nos últimos anos, trabalhava com serviço de entrega de água e gás. Já Sérgio trabalhava com caminhão e teria dito a alguns conhecidos que se mudaria para a Bahia.
No dia 15 de novembro, familiares dos brasileiros entraram em contato com a embaixada brasileira em Nassau relatando o desaparecimento. As guardas costeiras dos EUA e das Bahamas fazem buscas e monitoram a região por satélite. No entanto, nenhum naufrágio foi registrado, de acordo com o Itamaraty.
As autoridades trabalham com dois cenários mais prováveis. No primeiro, os brasileiros continuam nas Bahamas, detidos pelos coiotes, que suspenderam a travessia com medo de serem interceptados e estão mantendo os brasileiros incomunicáveis. O segundo cenário é o de que eles estariam no barco, à deriva ou ancorados em algum lugar. A distância entre Freeport, nas Bahamas, e Fort Lauderdale, na Flórida, é de apenas 150 quilômetros.
Segundo Luiza Lopes da Silva, diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior, muitos brasileiros estão optando pela rota das Bahamas porque a entrada pelo México está cada vez mais perigosa, por causa dos cartéis do tráfico. "A travessia feita a pé pelo deserto também é insegura e muitos sofrem desidratação", declarou.
Além disso, há um efeito "últimos dias de Obama". "Muitos brasileiros com quem conversamos lá nos EUA dizem que parentes ou amigos estão acelerando a ida para o país, pois querem chegar antes de Donald Trump assumir, no dia 20 de janeiro", completou Luiza. Trump prometeu endurecer a repressão à imigração ilegal.
Segundo o Itamaraty, a rota das Bahamas não é nova. Há registro de brasileiros detidos nas Bahamas desde 2011, acusados de tentar entrar ilegalmente para os Estados Unidos.
Foram 65 em 2012; 55 em 2013; 50 em 2014; 56 em 2015 e, este ano, deve haver ligeira alta, chegando a 70. Além desses, há brasileiros que são presos ao chegar nos EUA, mas o governo americano não faz notificação compulsória; só informa quando há autorização do detido. "Por isso achamos que o número de detidos é bem maior", avaliou Luiza.
Por meio de nota, o Itamaraty também afirmou que o governo brasileiro atua no caso do desaparecimento de brasileiros durante suposta travessia marítima entre as Bahamas e os Estados Unidos. Segundo a nota, a primeira consulta sobre o assunto foi recebida em 15 de novembro de 2016. "O Ministério das Relações Exteriores informou imediatamente a Polícia Federal, as autoridades migratórias, policiais e as guardas costeiras bahamenses e norte-americanas, e vem trabalhando em conjunto com essas instituições."


