Sydney - Um casal australiano recebeu a autorização das autoridades para criar um ‘‘bebê de desenho’’ que sirva como doador para curar sua irmã mais velha de uma doença genética que pode causar sua morte.
A Autoridade de Tratamento de Infertilidade do estado de Victoria (Vita, sigla em inglês), órgão encarregado de regulamentar os fatores relativos à fertilização artificial na Austrália, concedeu a permissão, segunda-feira, ao casal Roman Curkowsky e Tania Kutney.
‘‘As novas medidas permitirão aos médicos selecionar os embriões de fecundação in vitro para determinar sua compatibilidade genética com seus irmãos doentes, como no caso da menina Christina Curkowsky’’, explicou Helen Szoke, chefe executiva da Vita.
A Vita proíbe o uso de embriões no tratamento das doenças de adultos, incluídos os pais, por isso cada caso deverá ser estudado individualmente pelo comitê de ética de cada instituição encarregada de criar os novos ‘‘bebês de desenho’’.
Tanto a chefe executiva da Vita como os pais de Christina, que sofre de anemia Fanconi, rejeitaram o uso do termo ‘‘bebê de desenho’’ ao considerar que é um termo frívolo que significa erroneamente que a criatura é manipulada geneticamente a ‘‘níveis embrionários’’.
A mãe e o pai de Christina deverão submeter-se a um tratamento que foi planejado pelos especialistas. Caso os testes tenham sucesso, uma vez nascido o bebê, as células precursoras ou embrionárias extraídas do sangue de seu cordão umbilical serão injetadas na medula óssea de Christina. A doença genética de Christina somente pode ser curada com os embriões de um irmão ‘‘perfeitamente compatível’’.
A Vita baseou sua decisão na autorização dada em fevereiro passada pelas autoridades britânicas a um casal para usar métodos de concepção artificial para selecionar um embrião que não apenas esteja livre da doença, mas possa também servir de doador para curar seu irmão.
Uma família americana tornou-se, no ano passado, a primeira do mundo a criar um bebê mediante a diagnose genética pré-implantação para que doasse medula à sua filha de seis anos que também sofre de anemia Fanconi.

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