Casal abandona cargos de gerência
Quem acabou de desembarcar no Queens na semana passada foi o casal Elias e Cláudia Leles. Ele, 33 anos, era gerente de vendas de uma fábrica em Maringá. Tinha um salário razoável. Ela, 28 anos, era gerente de Recursos Humanos de uma grande empresa com filiais em 12 cidades.
Os dois fizeram as malas e decidiram enfrentar o destino. Dividem a casa com um outro casal paranaense e dois chilenos. ‘‘Foi uma virada de 360 graus. Antes tarde do que nunca’’, diz Elias. Ele virou ajudante de cozinha de um restaurante brasileiro no Queens e Cláudia procura emprego. Nos classificados dos jornais desta semana não havia boas ofertas.
Quem deu emprego para Elias foi a ex-bancária de Maringá Selma Moraes, 32 anos. Ela está vivendo há cinco anos na América e abriu um restaurante no Queens. Acredite, a picanha na chapa, o feijão, e o pastel que ela serve lá, deixa os brasileiros babando e os americanos com ciúmes do nosso tempero. Selma agora assina Merick porque casou com um americano. Daqui há 20 dias vai ter bebê. ‘‘Vai ser uma americaninha que vai ajudar o restaurante a crescer.’’
Depois que se fixou no Queens, a ex-bancária já puxou para a América três irmãs e uma sobrinha. Uma delas, Solange, 26 anos, já tentou voltar para o Paraná, mas não conseguiu ficar. ‘‘A gente sempre vive na corda bamba. Depois que vem para cá é difícil decidir se continua ou volta. Tem seus prós e contras, mas aqui se faz dinheiro.’’
Outra moradora do Queens é Cidinha, 31 anos. Quem vê a mulata nem imagina que ela saiu do Parque Alvorada, em Londrina. Ela começou a carreira na Casa de Samba Tigrão, uma das opções da noite londrinense. Passou por São Paulo e agora faz o maior sucesso nos ‘‘estates’’ como bailarina de grupos folclóricos.
Cidinha tem história. Já passou pelo Japão, Cingapura e Emirados Árabes. Quando estava por lá, guardou dinheiro e comprou uma casa para os pais que moravam na favela. A mulata não tem vergonha de dizer que ainda está atrás do sonho americano. Nunca trabalhou tanto como nos Estados Unidos. ‘‘Vivo toda a semana numa cidade diferente. Faço dois shows por noite. Ganho em média US$ 200 por show’’, contabiliza.
Cidinha ainda persegue o sonho de entrar num espetáculo da Broadway. ‘‘É difícil enfrentar as americanas que têm todas as oportunidades desde a infância. Quem quer dançar vai para as melhores escolas.’’ (G.S. e M.U.)

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