Casa terapêutica abriga quem não tem família
Curitiba - Os portadores de transtornos mentais que estão aptos a voltar à sociedade, porém não têm mais familiares, podem ser transferidos dos hospitais para as residências terapêuticas. É uma espécie de república mantida pelo SUS (com o mesmo dinheiro que financiava os pacientes dentro dos hospitais). A única no Paraná fica em Curitiba e é ocupada por cinco pacientes há dez meses.
Enoel de Oliveira, 46 anos, que ficou internado por 25 anos, conta que voltar ao convívio social é como se ter outra vida. Quando jovem, tinha surtos e, como não tinha família nem residência fixa, ele mesmo se internou. Durante todo o período que passou no hospital psiquiátrico, Enoel nunca recebeu visitas. Seu companheiro de ''casa'', Roaldo Nogueira Neves, 49 anos e 18 internado, diz que ainda está perdido com tanta liberdade. ''No hospital nós não podíamos sair. Nós ficávamos no pátio e andávamos por lá mesmo'', conta. Durante o internamento, Roaldo só recebeu visitas de sua mãe nos dois primeiros anos.
Eles moram sozinhos e dividem as tarefas da casa. Wilma Souza Lopes, 63 anos e 40 de internação, é responsável pela manutenção da cozinha e limpeza de algumas áreas da casa. Ela diz que ''se sente bem fora do hospital e que adora passear''. As residências terapêuticas têm dois profissionais com nível superior responsáveis, chamados de referências. Eles vão até o local todos os dias verificar como eles estão, porém todo o tratamento e acompanhamento é feito na unidade de saúde próxima e nos centros de atenção psicossocial.





