Casa noturnas do Rio transformam profecia em motivo de festa
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terça-feira, 10 de agosto de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 11 (AE) - Como diz o samba de Assis Valente, "...e o tal do mundo não se acabou". Mas os quase mil jovens que estiveram no Hippopotamus, na Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, zona sul do Rio, na madrugada de hoje, se "acabaram" até quase 6 horas da manhã comemorando o não acontecido. No andar de cima da boate, no Budha Bar, o proprietário, Ricardo Amaral, em atitude condizente ao nome que deu a sua casa, filosofava.
"O mundo já acabou e agora só existe virtualmente, através da Internet", comentava ele. "O que nos estamos assistindo, no Brasil e no mundo, é pura fantasia". Se dependesse da fé dos presentes à festa, não tinha como o mundo acabar. A começar pelo Nostradamus presente, ou melhor, o ator Leonardo Arantes, caracterizado como o médico francês, para quem "essa história não passa de lenda".
Reais ou não, havia personagens apropriados à ocasião, como a Diaba, encarnada pela atriz Carolina Chalita, e a Malina, da também atriz Tatianna Monteiro. De verdade mesmo só a taróloga Eliê Teixeira Leite, que dava consultas no Budha Bar, colocando cartas para todo mundo da casa, de Ricardo Amaral aos porteiros e seguranças. Mas ela também não acreditava no fim do mundo. "É um reinício, na verdade vai começar o tempo em que, como disse Jesus Cristo, os bons herdarão a terra", disse, explicando que é psicóloga, antropóloga, taróloga, vidente e executiva de uma multinacional do setor automobilístico.
Os convidados famosos não fizeram fé na festa ou preferiram estar em casa para qualquer eventualidade apocalíptica. Mas não faltou gente bonita, como a modelo Paola Crespi. Ou a estudante de engenharia Daniela Freitas Ribas, que se preocupava, no fim da festa, com a vida cotidiana. "Agora eu tenho que estar às 7h30 lá no Fundão porque o mundo não acabou". Pelo jeito que se comemorou na madrugada de hoje, parece que é nisso que o carioca acreditou.
Na boate gay Le Boy, em Copacabana, a festa rompeu o dia e ninguém parecia se importar em estar acabado quando saiu de lá. Mais esperta foi a produção do Provisório, boate ao lado do Hippo, que marcou uma comemoração para hoje à noite. Se o mundo não acabou, a festa tem que continuar.


