Rio, 04 (AE) - A casa do advogado Hélio Saboya, ex- secretário de Polícia Civil no governo Moreira Franco, em Santa Teresa, zona sul do Rio, foi assaltada por volta de meia-noite de ontem. Segundo o delegado Jamil Bughi, da 7ª Distrito Policial, três ladrões entraram na casa e renderam o advogado e sua esposa, Mercedes. O assalto aconteceu quando o casal recebia o empresário Jorge Hilário Gouvêa Vieira, e sua mulher, Andréa.
O empresário é irmão de Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, dono do grupo Ipiranga e presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que teve o filho sequestrado em 1995. Os assaltantes roubaram R$ 3,8 mil, cinco pulseiras de ouro, dois aparelhos de videocassete, dois walkmans, um telefone celular e um revólver calibre 38. Em seguida, fugiram no Peugeot do empresário.
De acordo com o delegado, a quadrilha era formada por dois homens - um pardo, magro com orelhas de abano e outro branco com bigode - e uma mulher escura e gorda. Cada um estava com um revólver 38. "Eles apenas renderam as vítimas, sem fazer nenhuma agressão", contou Bugui. Na hora da fuga, um dos assaltantes acabou deixando cair uma bengala que foi apreendida para exame de perícia. Até o fim da tarde de hoje, Saboya ainda não havia comparecido na delegacia para fazer o retrato-falado dos assaltantes. Tanto o advogado como o empresário não foram encontrados pela reportagem. Governador - O assalto à casa de Hélio Saboya, um dos idealizadores da Associação Rio contra o Crime, que mantém um serviço telefônico para denúncias de sequestros na cidade, mostra o aumento de uma modalidade de roubo que vem tomando conta do Rio nos últimos tempos: o saque à residência. Em menos de uma semana, a polícia já registrou três casos, todos na zona sul - um prédio no Humaitá, assaltado duas vezes, e outro no Jardim Botânico. A sequência deste crime somada aos frequentes tiroteios nas ruas da cidade é vista pelo governador Anthony Garotinho não exatamente como um ponto positivo, mas como um reflexo do crescimento do policiamento ostensivo.
Na avaliação de Garotinho, com mais policiais nas ruas, os criminosos teriam mudado seus hábitos e passaram a atacar edifícios residenciais. "Os criminosos trocaram o asfalto pelos lares, porque sabem que a polícia está em cada esquina", analisou o subsecretário de Operações da Polícia Militar, coronel José Rodrigues Cutrim. "Os policiais estão reprimindo os bandidos e o resultado são os tiroteios" (Colaborou Andréia Maia).

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