Casa de Stefan Zweig em Petrópolis vai virar museu
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quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 25 (AE) - A casa em que o escritor austríaco Stefan Zweig e sua segunda mulher, Elizabeth Charlotte Altman, viveram em Petrópolis, na região serrana do Rio, será transformada em museu. O imóvel, onde o casal se suicidou seis dias depois do carnaval de 1942, deve ser desapropriado pela prefeitura nos próximos dias. A abertura do local para visitação pública está prevista para o ano que vem. "Era um sonho antigo resgatar a casa e transformá-la em memorial, principalmente agora, que Zweig renasce em todo o mundo", conta o prefeito de Petrópolis, Leandro Sampaio (PSDB).
Há dois anos, os livros de Zweig foram todos relançados na Europa. A iniciativa repete-se por aqui. A Editora Record, que lançou em fevereiro Stefan Zweig, uma Biografia, de Dominique Bona, promete reeditar os livros do escritor, atualmente esgotados, a partir de setembro.
Documentação - A exemplo do que foi feito na casa onde morou o inventor Alberto Santos Dumont, também em Petrópolis, a idéia de Sampaio é reunir todo o acervo possível sobre Zweig. "Queremos resgatar os móveis, objetos de uso pessoal do escritor, além de fotos e documentos", conta o prefeito. "O objetivo é reunir, em um mesmo local, tudo o que diz respeito a Zweig."
A casa, construída nos anos 20 numa encosta de morro, é simples e sem estilo arquitetônico definido. Tem uma sala e dois quartos, de pé-direito baixo, cozinha, banheiro e uma adega, além de uma grande varanda. "O imóvel, em si, não tem valor histórico maior", explica o historiador petropolitano Joaquim Eloy dos Santos.
O prefeito está criando uma comissão formada por historiadores e representantes do governo para dar início ao levantamento dos móveis e documentos que ainda estão em Petrópolis. "Não creio que tenhamos dificuldade em resgatar essas coisas", afirma o historiador Santos. Sampaio pretende também restaurar o túmulo do casal, no cemitério municipal, para atrair visitantes.
Stefan Zweig nasceu em 28 de novembro de 1881, em Viena, na áustria. Estudou na própria áustria, na França e na Alemanha, antes de se fixar na cidade austríaca de Salzburg, em 1913. Seu primeiro trabalho, uma coletânea de poesias, foi publicado em 1901. Amigo de intelectuais pacifistas como Rainer Maria Rilke, Sigmund Freud, James Joyce e Thomas Mann, o humanista judeu Zweig foi duramente afetado pelo holocausto e a barbárie nazista. Refugiou-se, primeiro na Inglaterra, em 1934, e, seis anos depois, no Brasil, mais precisamente, no Rio.
A decisão de morar em Petrópolis foi tomada pouco depois do lançamento de Brasil, País do Futuro, "um livro de exaltação ao jovem país", como definiu Dominique Bona, em Stefan Zweig, uma Biografia.
Brasil, País do Futuro recebeu críticas severas da oposição brasileira, que acusou Zweig de ligações com o regime ditatorial de Getúlio Vargas, o Estado Novo. Escreve Dominique: "Como de hábito, sua resposta será o silêncio e a solidão que então escolhe, deixando o Rio para morar numa cidade provinciana e mais serena."


