Assunção, 29 (AE-REUTERS) - Desconhecidos atacaram com uma granada a residência de campo de um senador da oposição paraguaia na madrugada de hoje (29). "Alguém lançou uma granada militar em minha casa. No momento do atentado, eu dormia com minha mulher e dois guarda-costas estavam na porta da frente", disse o senador Francisco de Vargas, do Partido Liberal Radical Autêntico.
Este atentado - que não causou maiores danos - soma-se a outros ocorridos na quarta-feira, quando as casas de membros da Suprema Corte de Justiça foram atacadas com bombas de fabricação caseira e disparos.
A ação de hoje ocorreu às 2h10 (horário local) na casa de descanso do senador, localizada no povoado de Areguá, a cerca de 20 quilômetros de Assunção.
Segundo o comandante da Polícia Nacional, Ni¤o Trinidad, as investigaçäes para se chegar ao autor do atentado "constituem uma difícil missão" para seus subordinados.
Entretanto, segundo uma emissora de rádio local, a polícia já trabalha com uma pista: um pedaço de metal vermelho contendo algumas letras que sobrou do dispositivo.
Os investigadores suspeitam que os atentados - contra o legislador e contra os membros da corte - possam ser obra de segudores do ex-general golpista Lino Oviedo, inimigo político do senador Vargas e o centro de uma das maiores crises políticas do país.
Oviedo era comandante do Exército quando foi passado à reserva pela tentativa de um golpe de Estado contra o ex-presidente Juan Wasmosy, em abril de 1996.
Dois anos depois, Oviedo foi condenado a 10 anos de prisão, mas após permanecer oito meses em reclusão, foi libertado por seu amigo político, o presidente Raúl Cubas, através de um decreto.
O Congresso, então, considerou o decreto inconstituconal e a Suprema Corte de Justiça decidiu a favor da legislatura, ordenando o retorno à prisão do militar. Cubas desconheceu a decisão da corte e ordenou o arquivamento do caso.
Em dezembro do ano passado, Oviedo exigiu a renúncia dos cinco membros que votaram por seu regresso à prisão e prometeu açäes diretas contra eles. Seus seguidores atacaram a balas a sede do Partido Popular.
Um mês depois, a casa do ex-presidente Wasmosy foi alvo de disparos por parte de um grupo desconhecido. Os gabinetes de vários políticos foram saqueados e denunciou-se uma série de ameaças de bomba no edifício do Poder Judicial.
Falando a uma emissora de rádio local, Oviedo afirmou que nem ele nem seus seguidores foram responsáveis pelos atentados.

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