Casa de Detenção de São Paulo começa a ser desativada
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2001
Agência Estado<br>De São Paulo 
Começou ontem oficialmente a desativação da Casa de Detenção, parte do Complexo do Carandiru, na zona norte de São Paulo, com a transferência de 140 presos, todos cumprindo pena em regime fechado, para penitenciárias da Grande São Paulo e do interior. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que acompanhou a ação, estima que até o fim de março todos os 7.200 presidiários dessa ala - em todo o complexo são 10.500 - tenham sido removidos.
''O prédio está em péssimo estado e o terreno é um verdadeiro queijo suíço de tanto túnel. A desativação atende a uma recomendação internacional de não se manter mais de 700 presos numa penitenciária'', disse Alckmin. Na revista antes da remoção, foram encontrados clipes de escritório com três presos. A polícia acredita que eles poderiam utilizar os instrumentos para abrir as algemas durante a viagem.
Para a redistribuição dos presidiários, o governo está construindo 11 centros de detenção, com 8.400 vagas em todo o Estado. As obras vão custar R$ 100 milhões, metade bancada pelo governo estadual e o restante pelo governo federal. Anteontem, foi inaugurada a primeira, em regime semi-aberto, em Pacaembu. Outras três deverão ser abertas na segunda-feira.
O secretário de Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, afirmou que a transferência dos presos deve minar a ação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e acabar com as rebeliões e fugas em massa no Carandiru. ''A Casa de Detenção sempre foi um problema porque, com tanta gente, é difícil acompanhar a atuação de cada preso e dos grupos'', disse.
Apesar de o governo insistir que a operação seria sigilosa, os quatro ônibus que saíram de São Paulo escoltados por carros da Polícia Militar e da Tropa de Choque levavam faixas identificando que o veículo estava sendo usado para o transporte de presos como parte da desativação da Casa de Detenção. ''É para as pessoas manterem distância'', justificou Furukawa.
Após a última transferência, o prédio da Detenção será demolido, provavelmente em abril. O destino da área, de 230 mil metros quadrados, deverá ser discutido com a população. A idéia é fazer um parque no local, aproveitando os 55 mil metros quadrados de mata atlântica.
Os outros módulos do complexo - Penitenciárias do Estado e Feminina - também deverão ser desativados, mas os prédios serão mantidos. O que abriga a Penitenciária do Estado é de 1920 e foi tombado.


