Rio - Os presos da Casa de Custódia Jorge Santana, no complexo penitenciário de Bangu (zona oeste do Rio), voltaram a se rebelar ontem. Eles fizeram sete policiais militares reféns e os mantiveram amarrados em botijões de gás e com armas apontadas para a cabeça durante dez horas.
Foi o segundo motim na unidade em nove dias. Segundo a PM (Polícia Militar), a rebelião começou por volta das 5h, após uma frustrada tentativa de fuga em massa. Armados com pistolas e pelo menos um fuzil, os detentos renderam sete PMs e tentaram fugir pela porta da frente da unidade. Seis conseguiram escapar.
A partir daí iniciou-se um tiroteio. Três detentos foram baleados. Um PM fraturou uma perna ao cair. Um fugitivo foi recapturado.
Após serem impedidos de fugir pelos PMs, os presos ocuparam o pátio e o telhado da prisão. Eles exibiam bandeiras vermelhas e faziam com as mãos as iniciais da facção criminosa CV (Comando Vermelho). Dois reféns foram espancados pelos presos e sofreram escoriações.
Cerca de 150 PMs do Bope (Batalhão de Operações Especiais), do Getam (Grupamento Especial Tático-Móvel) e do 14º Batalhão da PM ocuparam o complexo. O dirigível da Secretaria de Segurança Pública também participou da operação.
Uma equipe do Bope negociou com os presos, que exigiam a mudança da empresa que fornece comida à unidade e a transferência dos condenados. Um refém foi libertado ainda pela manhã.
A PM informou que não pretende atender as reclamações dos presos.
Durante as negociações, os presos usavam telefones celulares, apesar de na quarta-feira a PM ter feito uma operação pente-fino na Jorge Santana, apreendendo nove celulares.
A rebelião foi encerrada às 15h, 20 minutos após um carro blindado do Bope (o Caveirão) ter entrado na unidade. Os rebelados entregaram as armas e libertaram os reféns. Após o fim do motim a polícia vistoriou todas as celas da casa de custódia, mas nada encontrou.
O comandante-geral da PM, coronel Francisco Braz, disse que tudo começou quando um preso, com um fuzil, rendeu um policial que dormia em uma guarita. A partir daí, os demais policiais foram rendidos pelos presos. Todos dormiam, segundo Braz, que anunciou que dez PMs serão autuados sob a acusação de abandono de serviço.
Braz afirmou que os presos usaram armas que estavam com os PMs rendidos. Seriam quatro pistolas, além do fuzil. Também teriam usado celulares dos policiais.
A Jorge Santana abriga atualmente 548 presos, sendo que 150 deles são condenados e esperam transferência para um presídio.
Polinter - As 250 presas na carceragem feminina da Polinter (Polícia Interestadual), no Grajaú (zona norte do Rio), promoveram ontem à tarde uma rebelião, seguida de tentativa de fuga, frustrada pela PM. Após o motim, elas foram transferidas para uma casa de custódia no complexo de Bangu.
Anteontem, durante outro motim, elas incendiaram colchões e roupas e destruíram celas. As presas reclamavam da falta de água e pediam transferência. A carceragem estava superlotada, pois a capacidade máxima é para 50 pessoas.

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