Casa de apoio acolhe excluídos
Maringá - Um lugar para chamar de lar e ter ajuda para retomar a esperança e a vida em sociedade. Esse é o trabalho desenvolvido há quatro anos pela Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM) de Maringá, através do projeto Casa de Missão Amor Gratuito (Camargo).
Inclusiva e ecumênica, a Igreja é a única do Paraná. O líder pastoral Célio Camargo dos Santos explica que ela surgiu em 1968, em Los Angeles, nos Estados Unidos e que só chegou no Brasil há 10 anos.
"A ideia é ser uma igreja cristã que acolhe a diversidade religiosa e diversidade sexual. No país, existem cerca de 12 ICMs", explica Santos, que incentivado pela diaconisa transexual Paula Warmling, ajudou a fundar a unidade em Maringá juntamente com o diácono João Luiz da Silva.
Ainda de acordo com o pastor, Maringá necessitava de um local de acolhimento para pessoas que eram expulsas de casa, ou seja, excluídas da família e da sociedade em geral. "A casa é como um lar. A pessoa fica por tempo indeterminado, recebe refeições e participa de atividades como estudos bíblicos, exercícios físicos, artesanais e até de informática. Nossa capacidade hoje é para 10 pessoas", afirma.
Para arcar com os custos, a ICM conta com a ajuda de voluntários, do programa Mesa Brasil (Sesc) e da Catedral Metropolitana de Maringá, que doa 10 cestas básicas por mês. O restante das despesas são arcadas com recursos do próprio pastor e membros da igreja. "As pessoas que estão na casa e começam a trabalhar, também ajudam", diz.
Porém, muito mais que acolher a comunidade LGBT, a casa de apoio busca dar força para que as pessoas se insiram novamente na sociedade, arrumando emprego e retomando a autoestima e confiança. Santos afirma que a maioria chega machucada, com desejo de suicídio, pois não consegue mais ter esperança.
"Com esse acolhimento, temos conseguido resgatar a luz no fim do túnel. Estamos construindo esperança e destruindo muros. Ao longo desses quatro anos, percebi uma porcentagem muito pequena da mudanças efetivas na sociedade em geral, mas a visão das pessoas tem se tornando cada vez mais positiva em relação aos LGBT. Nossa busca é desconstruir a visão negativa para focar no ser humano", salienta Santos, revelando que a Camargo já atendeu 30 pessoas, inclusive de outros Estados, como MG, CE e RS. (M.O.)
Serviço:
Mais informações pelo site www.icmmaringa.org .





