Nova York (AE-REUTERS) - Céticos dizem que a previsão de que faltará champanhe para as celebrações do milênio é apenas um conto de fadas, mas a Walt Disney pensa que será preciso mais do que mágica para garantir a bebida borbulhante no ano-novo. Muitos também pensam assim, incluindo grandes cadeias de hotéis e a Casa Branca.
Realmente, vinícolas e importadoras do produto dizem que estão trabalhando muito com seus principais clientes para atender aos pedidos agora e prevêem que os estoques começarão a acabar já no meio do ano. A preocupação é com o vinho feito pelo método tradicional chamado champenoise, no qual o produto é envelhecido e fermentado em sua própria garrafa. Vinhos desta categoria devem ser envelhecidos e fermentados pelo menos 18 meses antes de serem vendidos. Safras de vinhos espumantes e champanhes francesas devem envelhecer pelo menos três anos, e os vinhos mais prestigiados necessitam de quatro a sete anos. "Esperamos ter vendido tudo em julho", disse Joy Sterling da vinícola Iron Horse do condado de Sonoma, na Califórnia, que produz vinhos espumantes que são envelhecidos de quatro a cinco anos. Ela disse que os pedidos pelo vinho espumante da companhia já haviam crescido 100% no final de fevereiro.
A Iron Horse foi escolhida para suprir com um vinho espumante safra 1994 as celebrações de ano-novo da Casa Branca. O rótulo especial irá trazer duas águias americanas com as palavras: "inspirado pela excitação e promessa do milênio". A bebida será estreada em abril num jantar na Casa Branca para 900 pessoas - incluindo 40 chefes de Estado - celebrando o aniversário de 50 anos da Otan. Sterling disse que a Iron Horse irá produzir 100 garrafas da bebida especial para a Casa Branca, apesar dos planos de quando e onde ela será servida ainda não estarem prontos."Não há adegas na Casa Branca", disse o mordomo-chefe Gary Walters, cuja equipe é responsável por encomendar vinho para eventos presidenciais. Ele disse que nem todos os eventos relacionados ao milênio foram planejados. "Nós compramos quando é necessário...preferimos comprar e usar, ao invés de estocar".
Em contraste, a Walt Disney World Resorts, rede de hotéis da Walt Disney Co., começou a planejar sua necessidade de vinhos espumantes dois anos atrás quando escolheu uma safra especial da Iron Horse para ser servida em seus restaurantes em Orlando e em seus cruzeiros. A edição terá um rótulo especial que diz "Safra Conto de Fadas do Milênio", salpicada com um pó dourado.
A companhia Schieffelin & Somerset, de Nova York, importadora e comercializadora da champanhe Moet & Chandon, incluindo a Dom Perignon, conta uma história semelhante. Bernard Peillon, vice-presidente de marketing do grupo, disse que começou a fazer planos para uma maior demanda em 1996, e tem conseguido atender seus principais clientes para assegurar que eles estejam preparados. "Por volta de setembro teremos vendido tudo", disse ele sobre os produtos da Schieffelin & Somerset, uma sociedade entre LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton e Diageo. A Moet & Chandon é uma unidade da LVMH. Patrick Charpentier, diretor de marketing da Charles Heidsieck Champanhes, que é de propriedade da Remy Cointreau, concorda que houve um forte aumento nos embarques para exportação, especialmente para os Estados Unidos. "Ninguém pode dizer o que vai acontecer, mas o comércio atual provavelmente irá forçar as casas de champanhe a priorizarem mercados e clientes", ele disse.
Publicações sobre comércio reportaram um aumento da demanda americana. Por exemplo, a revista Wine Business Monthly, de Sonoma, disse no mês passado que os Estados do leste estão prevendo para breve "vendas fenomenais" de champanhe e outros vinhos espumantes e a maioria dos varejistas concorda que provavelmente haverá falta do produto. Também haverá um aumento de 19% na demanda por champanhe globalmente de 1998 a 1999 como parte das celebrações do milênio, disse a Datamonitor Plc. em dezembro. "Apesar de algumas safras de champanhes terem sido vendidas, a grande maioria dos consumidores ainda tem que comprar seus suprimentos para o ano- novo", disse o grupo de pesquisas britânico. "O aumento na demanda irá superar muito todas as outras categorias de bebidas e pode resultar em falta do produto".
O Ritz-Carlton de Laguna Niguel, na Califórnia, não quer se arriscar. Suzanne Willis, diretora de relações públicas, disse que o hotel queria especificamente a safra de 1990 de Dom Perignon e começou a comprar garrafas extras todo mês nos últimos dois anos e meio. "Nós agora temos 2 mil garrafas de Dom Perignon estocadas e seguras para a grande noite". Philip Kendall, vice-presidente da área de bebidas e comidas do Hyatt Hotels Corp., de Chicago, disse que começou a comprar champanhe extra no ano passado. "Acho que a falta do produto será real. Os preços destes itens já estão aumentando e isso certamente é um sinal de escassez".
Mas outros permanecem céticos sobre uma escassez geral, incluindo Gerard Van Grinsven, vice-presidente da área de comidas e bebidas da Ritz-Carlton Hotel Corp., de Atlanta. Enquanto hotéis individuais como o Laguna Niguel podem fazer pedidos separados, a cadeia não está fazendo estoque. Van Grinsven disse acreditar que o aumento do preço do champanhe é apenas uma maneira de chamar a atenção e fazer mais pessoas comprarem o produto. A Ritz-Carlton é propriedade da Marriott International Inc. Danny Thames, diretor de bebidas do New York Restaurant Group, que é dono de restaurantes em Nova York, Miami Beach, Chicago, Nova Orleans e Las Vegas, incluindo as casas de carne Smith & Wollensky, concorda. "Os preços subiram porque houve muita especulação sobre o assunto", ele disse, adicionando que o grupo de restaurantes teve que repassar o aumento para os consumidores, subindo o preço da Dom Perignon de US$ 99 por garrafa para US$ 169. "Mal posso esperar até o ano 2000, quando conseguirei melhores preços nas sobras", ele disse.

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